Vacina da Pfizer é 100% eficaz em adolescentes sintomáticos, diz líder médica da empresa

Farmacêutica planeja apresentar dados iniciais sobre o uso do imunizante na população de 6 meses a 11 anos até o fim de 2021; expectativa é produzir 4 bilhões de doses em 2022, com vendas exclusivas a governos

  • Por Jovem Pan
  • 15/06/2021 09h09 - Atualizado em 15/06/2021 09h36
EFE/EPA/MICHAEL REYNOLDSSegundo Julia Spinardi, estudo apontou a segurança da vacina para adolescente, sem relatos de efeitos adversos graves ou preocupantes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou na semana passada o uso da vacina da Pfizer contra a Covid-19 em pessoas a partir dos 12 anos. O anúncio aconteceu após pedido da farmacêutica, que concluiu estudos sobre a segurança e eficácia do imunizante na população adolescente. Segundo a infectologista, pediatra e líder médica da área de vacinas da Pfizer, Julia Spinardi, o estudo contou com a participação de 2.200 voluntários com idades entre 12 e 15 anos. “Estudo mostrou que a vacina que hoje utilizamos na população adulta, na mesma dosagem e esquema de doses, foi eficaz em 100% do casos para prevenção do Covid-19 sintomático na população de adolescentes. Do ponto de vista de eficácia, estamos falando de uma população que responde muito bem a essa vacina. Do ponto de vista de segurança, nenhuma preocupação severa com segurança. Os adolescentes começaram a ser vacinados em alguns países e até o momento não há nada que nos fosse preocupante. Os eventos adversos, em sua maioria de leve a moderado, estão relacionados com dor no local da aplicação”, relatou em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta terça-feira, 15.

Com a publicação dos resultados da pesquisa e o aval das agências reguladoras do mundo para a utilização da vacina em adolescentes, a Pfizer iniciou o recrutamento da chamada “população pediátrica” para as novas etapas de testes com o imunizante. De acordo com Julia Spinardi, a proposta é que quatro mil crianças, de seis meses a 11 anos, sejam testadas em três países. “A perspectiva é que a gente já tenha algum dado preliminar no final deste ano, lá para outubro e novembro”, disse. A infectologista ressalta, no entanto, que a prioridade continua sendo a vacinação de pessoas que evoluem para casos mais graves da Covid-19, que são os adultos, e que acabam sobrecarregando os sistemas de saúde.  Sobre os efeitos adversos da vacina, como casos de miocardite registrados em vacinados dos Estados Unidos e de Israel, Julia Spinardi afirmou que os relatos estão sendo acompanhados. Segundo ela, foram cerca de 7 casos da inflamação cardíaca leve em cada 1,5 milhão de vacinados americanos, o que representa um baixo índice.

“Eram pacientes em sua maioria com perfil semelhante, em torno de 18anos, 19 anos, que tiveram quadro de miocardite caracterizado pela dor, mas não tiveram consequências graves. Eles foram acompanhados e recuperaram por completo”, ressaltou. A expectativa é que a Pfizer produza quatro bilhões de doses da vacina contra a Covid-19 em 2022. No entanto, a farmacêutica deve manter a venda dos imunizantes apenas para governos, excluindo a possibilidade de compra pela iniciativa privada. Segundo Julia, o entendimento é que a “vacina é bem que deve ser compartilhado de forma equitativa entre a população” e isso acontece apenas com o direcionamento aos programas nacionais de imunização.