‘Venda da Petrobras inteira não paga um ano do déficit da Previdência’, diz secretário

  • Por Jovem Pan
  • 15/10/2018 10h51 - Atualizado em 15/10/2018 10h52
Antonio Cruz/Agência BrasilEm entrevista à Jovem Pan, o secretário da Previdência Social, Marcelo Caetano, ressaltou que a reforma previdenciária é urgente e precisa ser feita o quanto antes

Um dos assuntos mais comentados entre os candidatos à Presidência é o ajuste fiscal e, por consequência, a reforma da Previdência. O Governo de Michel Temer não conseguiu avançar e vimos os candidatos, na reta final, com uma postura mais indefinida. O candidato Jair Bolsonaro, por meio de seu assessor econômico e provável ministro da Fazenda, caso o nome do PSL seja eleito, Paulo Guedes, defende uma reforma mais ampla, até com a ideia da capitalização para quem for ingressar no mercado de trabalho. Por outro lado, Fernando Haddad (PT), fala em adequação da situação dos Estados.

Em entrevista à Jovem Pan, o secretário da Previdência Social, Marcelo Caetano, ressaltou que a reforma previdenciária é urgente e precisa ser feita o quanto antes. “Quanto mais adiarmos, mais forte ela terá de acontecer. Precisamos trabalhar e encarar a realidade como ela é, e não como queremos que seja e fazermos a reforma o quanto antes para evitar que aconteça como acontece em alguns Estados em que não paga aposentadoria, tem parcelamento”, disse.

Marcelo Caetano reiterou que a situação, com o passar do tempo, só irá se deteriorar e que o déficit da Previdência do Governo Federal, excluindo da conta os Estados, já foi de R$ 260 bilhões no ano passado. “Se o Brasil fosse vender a Petrobras inteira, não paga um ano do déficit da Previdência. Se uma das maiores empresas do mundo, a maior do Brasil, a gente vendendo inteira, não chega a pagar um ano de déficit, de fato a gente tem situação de urgência que está escancarada”, explicou.

Sobre a proposta de Paulo Guedes de capitalização, o secretário da Previdência destacou que a análise da transição tem que ser feita com muito cuidado e calma. “A gente já tem déficit bilionário. Quando faz a transformação para capitalização, você continua pagando as aposentadorias e pensões da forma como se paga hoje e, além disso, você tem que começar a acumular dinheiro para pagar aposentadorias e pensões no futuro. Você cria despesa adicional expressiva”.

Na visão de Marcelo Caetano, a maior estratégia para a reforma da Previdência é aproveitar o fim do ano para tocar a proposta que já existe hoje. “A reforma atual já passou por essas etapas e estaria pronta para ser votada na Câmara. Claro que isso é da perspectiva da administração atual, mas é uma questão que dificilmente a administração futura terá como fugir”, finalizou.