Violência policial traz mais violência, avalia procurador-geral de Justiça de SP

Para Mário Luiz Sarrubbo, o Brasil precisa ‘deixar de lado’ a expansão das armas

  • Por Jovem Pan
  • 27/07/2020 08h57 - Atualizado em 27/07/2020 09h08
Jovem PanSarrubo salientou que não dá para trabalhar sobre esse prisma que defende mais violência sobre a que já existe

O procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo Mário Luiz Sarrubbo defendeu que não se deve combater criminalidade com violência. De acordo com ele, sinais foram dados de todos os lados de que é necessário isso para combater o crime — apesar de não ser a verdade. “A violência policial, nesse contexto, também é uma forma de criminalidade — e que deve ser combatida. Não basta punir só o policial de rua, mas também o comando dele, o que deu a ordem, sob pena disso continuar acontecendo. Violência policial traz mais violência.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, Sarrubo salientou que não dá para trabalhar sobre esse prisma que defende mais violência sobre a que já existe. Entre janeiro e julho de 2020, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública, 514 pessoas foram mortas por violência policial em São Paulo. “É preciso separar a atividade de confronto, como contra o crime organizado, em que o policial, pela lei, pode agir em legítima defesa. O que temos hoje é um movimento no sentido de que a criminalidade se combate com violência. A violência policial tem que ser aplicada na exata medida para contensão para a prisão. O ideal é que o criminoso seja preso sem lesão acima do necessário, com integridade física intacta.”

Para o procurador-geral, o Brasil precisa “deixar de lado” a expansão das armas. “Quanto mais arma nas ruas, mais é um retrocesso absoluto para os índices de violência do Brasil. Estamos indo na contramão. Vivemos um momento que a agressividade e o uso de arma empoderam e há necessidade de freios para que isso não aconteça”, disse Sarrubo. Ele ressaltou que essa reação policial tem acontecido acima do esperado, mas não representa a Polícia como um todo. “Não dá para dizer que é algo desenfreado”, finalizou.