Molon acusa Salles de perseguição a fiscais do Ibama; assista

Deputado e ministro travaram debate acalorado durante participação no quadro Quem Tem Razão?, do Jovem Pan Agora; assunto era desmatamento na Amazônia

  • Por Jovem Pan
  • 31/07/2020 18h09 - Atualizado em 31/07/2020 19h32
ReproduçãoDeputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) e ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) travaram um debate acalorado nesta sexta-feira, 31, durante participação no quadro Quem Tem Razão?, do Jovem Pan Agora. O assunto era o desmatamento e as queimadas na Amazônia, mas o que motivou a discussão foi uma acusação feita por Molon de que funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama)  estavam sendo perseguidos pelo ministério. “Suas ações têm feito os funcionários se sentirem assim. Poderia dar vários exemplos disso”, afirmou Molon.

Salles retrucou, pedindo que o deputado citasse “um único exemplo de perseguição” dos fiscais. “Não tem um único caso, é uma retórica que a oposição criou sem fundamento”, defendeu o ministro. Molon citou, então, a exoneração do analista ambiental Renê Luiz de Oliveira, do coordenador de operação de fiscalização, Hugo Ferreira Netto Loss e do diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Azevedo. Segundo funcionários do Ibama, os coordenadores teriam sido ameaçados de exoneração após a exibição de uma reportagem no Fantástico da mega operação realizada pelo Instituto para fechar garimpos ilegais e proteger as aldeias de quatro terras indígenas no Sul do Pará. De acordo com Salles, Olivaldi Azevedo “pediu para sair por motivos pessoais”, e os demais funcionários foram substituídos pelo novo diretor de fiscalização, que “queria recompor a sua equipe”.

“Um ano e meio de governo, e você [Molon] cita um caso que sequer é verdadeiro, que aconteceu a um mês atrás. Ele próprio deu uma declaração do por que ele saiu, e o novo diretor substituiu os seus subordinados, para montar sua equipe que estava começando”, explicou o ministro. Molon prometeu “tornar pública” hoje uma lista de casos de perseguição e citar os nomes.

Ministério destruído

O deputado disse, ainda, que “o governo Bolsonaro destruiu o Ministério do Meio Ambiente”, ao que Salles respondeu que foi a gestão de Marina Silva, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. “Nos foi entregue um ministério destruído, sem equipe. As últimas gestões não resolveram os problemas de mineração, dos pequenos produtores, do garimpo ilegal, como se fingir que isso não existe fosse resolver o problema. Deixaram o povo da Amazônia para trás, e nós herdamos essa situação”, afirmou Salles. O ministro defende uma política econômica que melhore a qualidade de vida e de renda dos habitantes da região, além da regularização fundiária.

Assista ao debate: