Emicida diz ter “coração acalentado” com novo disco e refuta impeachment

  • Por Jovem Pan
  • 02/09/2015 11h37
Jovem Pan

O rapper Emicida, que acaba de lançar o disco “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa”, está satisfeito com o trabalho e a repercussão. “Conseguir lançar um disco com essa quantidade gigantesca de referências literárias e com pessoas indo atrás acalanta muito meu coração”, falou no Morning Show desta quarta-feira (02).

Primeiro hit do disco, “Boa Esperança” já ganhou um clipe. No vídeo, empregados domésticos se revoltam contra humilhação de patrões e criam um motim numa mansão. “Boa Esperança é a reflexão que a molecada tem feito por causa das referências que tem na música, do título, que é o nome de um navio negreiro, até a questão de cotas em universidades e ao nazismo”, explicou.

Ritmada e destoante do novo disco do rapper – e também das demais músicas da carreira -, “Passarinhos” tem uma mãozinha de Caetano Veloso, explicou o Emicida, que o incentiva a fazer música fora “dos quadradinhos”.  “Comprei um ukulele e ninguém que compra um ukelele faz uma música agressiva. Não existe. “Passarinhos” eu comecei a escrever no Brasil, não tinha formato e textura. Sabia que ia ser algo parecido com reggae, mas não sabia exatamente o que era. Estudei canto e queria colocar isso aí”, falou.

“Caetano é um cara muito livre e ele faz a música dele do jeito que ele quer”, falou para Edgard Piccoli sobre o baiano. “Tenho que me preocupar com o que estou falando sempre.”

Contra impeachment
Apoiador da presidente Dilma Rousseff durante a reeleição 2014, o rapper mostrou uma postura crítica em relação à situação política e econômica do país, mas negou ser favorável ao impedimento da líder política. “O fato de eu ter apoio a Dilma Rousseff não significa que tenho apoiado tudo que acontece no Brasil. Sou bem critico a isso”, falou durante o Morning Show  reclamar também o maniqueísmo do debate. “A política no Brasil virou para esse lado muito ignorante e não foi exclusivamente pelo PT. O Brasil procura um herói sempre”, analisou.

O músico comentou também ter apoiado a petista pois rima diretamente com o pessoal do “Brasil que se beneficiou diretamente de minha Casa Minha Vida, Bolsa Família e cotas nas universidade”, disse. “No outro lado, tinha Aécio Neves que defendia a redução da maioridade penal. Sou radicalmente contra”, reclamou.

Amor ao rap
A aproximação ao rap, ainda garoto, foi por causa dos Racionais MCs e bronca com o racismo e situações de abuso da polícia, disse no ar. “O que abriu minha cabeça foi um disco dos Racionais em 1993. Os caras do Capão Redondo viviam a mesma coisa que eu na Vila Zilda, no outro extremo de São Paulo. O veículo que levou essa informação para nós foi o rap”, contou.

Sobre a profissão, o cantor falou que é uma forma de agradecer o seu estilo musical favorito. “Eu não saberia como agradecer eles (artistas precurssores do rap). A maneira que eu encontrei de externar minha gratidão é me esforçando ao máximo para continuar essa história”, falou.