Cunha: Lava Jato criminalizou política, mas Moro está sendo desmascarado

Em entrevista ao programa ‘Os Pingos Nos Is’, ex-presidente da Câmara dos Deputados falou sobre o combate à corrupção e a expectativa de cumprir novos mandatos

  • Por Jovem Pan
  • 14/06/2021 19h29 - Atualizado em 14/06/2021 19h47
André Dusek/Estadão ConteúdoCunha foi entrevistado pelo programa 'Os Pingos Nos Is'

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha foi entrevistado pelo programa “Os Pingos Nos Is” da Jovem Pan, nesta segunda-feira, 14, e falou sobre o término da força-tarefa da Operação Lava Jato e as impressões dele sobre o destino das ações de combate à corrupção no Brasil. Para ele, a briga contra crimes do tipo não acabaram nem devem acabar, mas a operação comandada por Sergio Moro não foi positiva. “Na verdade, a Operação Lava Jato, em nome de um combate à corrupção, foi uma operação política, que visou exclusivamente a parte que se tocava no Paraná, o ex-juiz Sérgio Moro e a força-tarefa, para criminalizar a política. O que se buscou ali foi acabar com o campo político para ser ocupado com outras pessoas”, afirmou. Cunha alega que a ex-presidente Dilma Rousseff teria sido deposta da Presidência mesmo sem a operação no Brasil e que a prisão de Lula deveria ter sido feita dentro do “devido processo legal”.

“A prisão dele foi absurdamente injusta, o processo dele foi nulo. Não estou aqui defendendo, não vou defender nem atacar quem quer que seja. No meu caso também, foi uma prisão absurda, que efetivamente terá o mesmo reconhecimento da incompetência do juízo para ter me processado, como também da sua suspeição”, afirmou. O ex-deputado disse que Moro retirou acusações de crimes eleitorais contra ele após perder o mandato para que o caso não fosse passado para outro magistrado. Contra isso, Cunha registrou uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF). “Tenho certeza absoluta que a minha condenação vai ser anulada e, consequentemente, será mais um ato do ex-juiz Sergio Moro que ficará claro para a sociedade. O país mudou, mas mudou porque viveu momentos travestidos dessa operação que causaram muitos males ao país”, opinou. Para ele, a política e a economia sofreram consequências das eleições de 2018 e o combate à corrupção deve ser feito dentro da lei.

Para Cunha, o brasileiro irá às urnas em 2022 em busca da “velha política”, pois as atitudes de Moro foram feitas para “desestabilizar” o processo econômico e político no país. “Sergio Moro causou um mal ao país. Ele está sendo desmascarado, efetivamente precisa ser punido. É uma questão de tempo para que seja reconhecido os absurdos, a incompetência dele para processar muitos daqueles que ele processou e para que possa a sociedade conhecer os verdadeiros motivos que os levaram a fazer daquela maneira”, afirmou. Cunha defendeu que os atos de desvios e corrupção feitos dentro de empresas investigadas pela Lava Jato devem ser atribuídos a pessoas que estavam nos cargos, não às companhias, que já devolveram milhões aos cofres públicos. “Esses valores que foram atribuídos, não se sabe se é valor de roubo ou se foi o valor do acordo político que foi feito para acabar com as acusações, então a gente não sabe efetivamente se está sendo pago valor de roubo”, especulou.

Ao falar da pandemia, ele criticou as ações tomadas pela esquerda e pela direita no Brasil diante do caos sanitário. “Todos os lados estão cometendo aglomerações que deveriam ser evitadas”, afirmou. No futuro, o deputado pretende voltar a ocupar cargos públicos por meio das urnas, mas para 2022 a aposta é outra. “Eu não vou concorrer no ano que vem, até porque minha situação jurídica ainda não me permite, embora eu possa revertê-la a tempo. Mas, de qualquer forma, para a eleição que vem, eu já decidi que não disputarei. Quem vai disputar é a minha filha, Danielle, vai disputar o mandato de deputada federal. Eu pretendo voltar, sim, pretendo voltar a exercer, mas não a partir desta próxima eleição”, afirmou.

Confira o programa “Os Pingos Nos Is” desta segunda-feira, 14, na íntegra: