Eduardo Bolsonaro diz que trocas ministeriais são ‘fatos isolados’: ‘Por conveniência foram no mesmo dia’

Deputado federal comentou sobre as saídas de Ernesto Araújo, José Levi e Fernando Azevedo e Silva; ao todo, governo anunciou mudanças em seis pastas

  • Por Jovem Pan
  • 29/03/2021 19h13 - Atualizado em 29/03/2021 20h13
Cleia Viana/Câmara dos DeputadosEduardo Bolsonaro falou ao programa 'Os Pingos Nos Is'

Em entrevista ao programa “Os Pingos Nos Is”, da Jovem Pan, nesta segunda-feira, 29, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) garantiu que as trocas ministeriais não têm ligação umas com as outras, sendo apenas um momento em que aproveitou-se “para fazer uma mudança de maior escala”. Hoje, o governo anunciou a troca de seis ministros. Deixaram os seus cargos Ernesto Araújo, das Relações ExterioresFernando Azevedo, da DefesaJosé Levi, da Advocacia-Geral da UniãoLuiz Eduardo Ramos, da Secretaria de GovernoWalter Braga Netto, da Casa Civil, e André Mendonça, da Justiça e Segurança Pública. Destes, os três últimos foram remanejados, seguindo no governo federal.

“A questão do ministério da Defesa é um assunto referente aos militares; na AGU, o que eu acredito que tenha causado esse desgaste com o Levi tenha sido a questão da ação direta de inconstitucionalidade, em que o presidente entrou no STF para barrar o lockdown que foi feito através de decretos em alguns estados, como Rio Grande do Sul e Bahia. O [ministro] Marco Aurélio, na sua decisão, acabou lembrando que a ADI carecia de um aval da AGU, ou seja, chegou fraca no Supremo Tribunal Federal. E para você ter ao seu lado um AGU que não apoie esse tipo de medida, de fato eu acho que é mais conveniente que tenha ocorrido essa troca, que aí o presidente busca se aproximar de outros parceiros e outros interlocutores”, destacou Eduardo.

Na pasta da Defesa, o deputado disse que o general Azevedo cumpriu a sua missão, e apontou que ele deve ser substituído por outro militar com o mesmo perfil. “Reparem: não existe uma conexão de saída ou de entrada de um ministro, de um AGU, não tem essa conexão como se fosse um jogo de dominó. São fatos isolados, mas pela conveniência, pelo momento, o presidente resolveu optar por trocar todas essas cadeiras no mesmo dia”, afirmou. Ele lembrou, ainda, da troca de Ernesto Araújo, e considerou que ela não deve trazer prejuízos para as relações externas do Brasil.

Saída de Ernesto Araújo

O deputado criticou a imprensa tradicional por ter taxado o ministro como da “ala ideológica”, enquanto não repercutia, ainda durante o governo de Dilma Rousseff, as relações internacionais com países como Venezuela, Cuba e Nicarágua, que foram preteridas e deram espaço à melhora do diálogo com países como Japão e Estados Unidos no novo governo. O deputado citou, ainda, uma série de ações positivas feitas pelo ministro ao longo do seu período no cargo. “Se nós estamos aqui com uma vacinação eficiente, com várias vacinas, isso aí também é um pouquinho de mérito do ministro das Relações Exteriores, que em que pese não ser ele a pessoa responsável diretamente por trazer as vacinas ao Brasil, ele que deu grandes passos para que um premier e um primeiro líder mundial, que é o primeiro ministro da índia, tenham fortes relações com o presidente Jair Bolsonaro”, afirmou.

Ele reconheceu que houve um atrito com o Senado, e disse que encarou as publicações de Araújo no domingo como uma resposta a uma “provocação” da senadora Kátia Abreu. “O que irrita muito a oposição é o fato do presidente apoiar a vacinação, porque queriam carimbar na testa dele o rótulo de anti vacina. E aí, em que pese tudo isso, o ministro chanceler Ernesto Araújo acabou confidenciando através de um tweet a relação da Kátia Abreu com a vinda do 5G chinês da Huawei para o Brasil e acabou gerando em boa parte dos senadores um corporativismo e uma pressão no governo para trocar o chanceler. Isso aí, pressionado por outras pautas, é que faz um governo a levar essa avaliação como concreta. Agora, de fato, eu acredito que o ministro Ernesto Araújo tem feito um bom trabalho, ele tem cumprido as ordens que o presidente tem dado a ele”, continuou o deputado.

Ainda sobre a rotulação de “ideológicos” por parte da imprensa, Eduardo falou que tem orgulho de ser taxado de tal forma e considerou que esse grupo é a “maior ameaça ao plano de dominação da esquerda”. Ele lembrou do caso de Filipe Martins, acusado de fazer um gesto supremacista branco durante sessão no Senado. “Desculpe o termo da palavra, mas é ridículo o que estão fazendo com ele. Os senadores que nunca estiveram preocupados quando o Brasil era saqueado agora querem tirar um assessor de relações internacionais que foi identificado como ideológico e recebeu um carimbo na testa para sofrer essa perseguição”, afirmou. O deputado considerou as críticas como “infundadas” e “só espuma” para o governo, considerando que não vê a possibilidade dele sair do governo. Sobre a  entrada de Carlos Alberto França para a vaga deixada por Ernesto Araújo, Eduardo lembrou que França é um embaixador de carreira e convivia com o presidente Jair Bolsonaro. “Não vejo como uma quebra da política externa, até porque a política externa tem dado certo, tem sido um sucesso”, garantiu. O parlamentar também pontuou que o possível novo nomenão tem relação com o Centrão, e descartou que essa tenha sido uma tentativa de agradá-los.

Confira o programa “Os Pingos Nos Is” desta segunda-feira, 29, na íntegra: