Guilherme Fiuza: ‘A forma da posse do Fux não me agrada, porque ela é personalista’

Posse do ministro Luiz Fux na presidência do STF e do CNJ foi pauta de comentários no programa Os Pingos nos Is

  • Por Jovem Pan
  • 10/09/2020 20h14
Fátima Meira - Estadão ConteúdoMinistro Luiz Fux, novo presidente do Supremo Tribunal Federal

O ministro Luiz Fux tomou posse nessa quinta-feira, 10, da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e foi tema das discussões dos comentaristas do Pingos nos Is, da Jovem Pan. Guilherme Fiuza foi um dos que analisaram a cerimônia de posse e o caminho que Fux precisará percorrer para dar uma nova cara para o Supremo. “O STF está na berlinda no país. É uma corte, não vou dizer desmoralizada, mas a opinião pública percebe o exagero de certas medidas, a politização. Uma tentação da maioria dos ministros do Supremo é a de morder certas iscas que têm sido apresentadas por parte da imprensa, para fazerem uma demagogia contra o perigo da ditadura. Portanto, é uma instituição que está em uma encruzilhada. Nunca foi tão conhecida e nunca foi tão criticada também”, explicou.

“Nesse contexto, Luiz Fux assume a Suprema Corte com o discurso de que ele quer um STF mais discreto, com menos ativismo político e isso seria muito bom. Uma diretriz de discrição e austeridade é o mais importante nesse momento. Um dos grandes problemas desses ministros é o personalismo, é a desconexão do servir, da missão de servidor, e eles passam a ser cabeças falantes. Então, essa forma da posse do Luiz Fux não me agrada, porque ela não é austera, é personalista”, emendou. Fiuza também relembrou as decisões de Fux.

“O Fux tem decisões como a extradição do terrorista Cesare Battisti, por exemplo, mas vimos ainda no TSE ele preparando a conversa de fake news. Aquilo era a semente do que virou a CPI das fake news, que é um circo, e é também semente de um projeto de lei que está no Congresso. Todas essas ações têm o objetivo de embargar uma nova voz da opinião pública. O Fux tem esses sinais diversos. Pela posse, não me animei muito. Agora ele tem o seu principal começo de carreira no STF, que é conduzir para uma rota mais republicana e que saia dessa rota mais perigosa de ficar tentando dinamitar o governo federal“, concluiu o comentarista.