Otávio Fakhoury nega acusações de Frota e diz que foi incluído no inquérito das fake news por ‘perseguição’

No depoimento, deputado relatou que o empresário era articulador e financiador de encontros para definir estratégias de divulgação na campanha presidencial e debater os 100 primeiros dias do governo Bolsonaro

  • Por Jovem Pan
  • 08/10/2020 20h07 - Atualizado em 08/10/2020 22h24
ReproduçãoFakhoury afirmou que tem dois processos tramitando contra Frota, um deles por crime contra a honra

O empresário Otávio Oscar Fakhoury rebateu, nesta quinta-feira, 8, as acusações do deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) de que seria um dos financiadores de atos antidemocráticos e de sites que disseminam fake news. Em entrevista exclusiva ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, Fakhoury afirmou que “não conhece ninguém” do grupo da ativista Sara Winter, e que foi colocado no inquérito por “perseguição”. “Tudo que eu participei na vida foi de forma legal e constitucional”, defendeu o empresário. No depoimento, Frota relatou que Fakhoury agia como articulador e financiador de encontros para definir estratégias de divulgação na campanha presidencial e debater os 100 primeiros dias do governo Bolsonaro. “O encontro foi para discutir política, não tem nada de antidemocrático. Está querendo criminalizar algo que é de mais comum na democracia”, rebateu o empresário.

Acusações

A versão do deputado conta da ‘fritura’ do ex-ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, atribuída à resistência do militar em contratar blogueiros na Secretaria de Comunicação. “Otávio é um dos financiadores do (site) Crítica Nacional e amigo de Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e do próprio Presidente da República”, diz um trecho do termo de declaração de Frota. “Oscar Fakhoury financiou e organizou encontros, por volta de 06/04/2018, envolvendo integrantes do grupo acima mencionado com objetivo de estabelecer estratégia de divulgação na campanha presidencial, além de outro encontro organizado para debater os primeiros dias do governo Bolsonaro”. Questionado sobre como teve conhecimento dos encontros, Frota afirmou que os integrantes do grupo divulgaram fotos dessas reuniões em hotel.

Fakhoury afirmou que tem dois processos tramitando contra Frota, um deles por crime contra a honra. Segundo o empresário, as acusações do parlamentar foram “uma forma de dar o troco”. “O que noticia-se na imprensa é de forma vaga, nenhum depoimento apontou nada de antidemocrático vindo de mim. Primeiro o fruto dessas matérias são vazamentos, ele não deveria nem estar comentando vazamentos”, disse. Desde abril, Fakhoury é investigado no inquérito sigiloso sobre a organização e o financiamento de atos contra a democracia, em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante as apurações, chegou a ser alvo de buscas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes na Operação Lume. Na ocasião, os advogados João Vinícius Manssur e William Iliadis Janssen, que representam Fakhoury, divulgaram uma nota reforçando que ele nega qualquer ato ilícito.