Paulo Marinho diz que Flávio Bolsonaro foi o mentor de Witzel: ‘Acolheu ele como seu candidato’

Para o empresário, Jair Bolsonaro e Witzel têm ‘muitas semelhanças na maneira de encarar a questão política’; governador foi afastado do cargo nesta sexta-feira por suspeitas de irregularidades

  • Por Jovem Pan
  • 28/08/2020 19h52 - Atualizado em 28/08/2020 20h11
WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDOMarinho acusou Flávio de ter sido avisado previamente sobre a Operação Furna da Onça

O empresário e pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro Paulo Marinho (PSDB) disse em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, que o senador Flávio Bolsonaro foi o mentor do governador Wilson Witzel (PSC), afastado do cargo nesta sexta-feira, 28, por suspeitas de envolvimento em irregularidades nas compras para a pandemia de Covid-19. ” Na campanha ele [Witzel] já era aliado de Bolsonaro, se elegeu no vácuo do prestígio de Bolsonaro, existia até uma amizade entre eles. Flávio foi o mentor do Witzel, acolheu ele como seu candidato e ostentou isso”, afirmou Marinho, ressaltando que “não vê nada de errado” no fato. “Witzel era um candidato que ostentava o título de juiz, em um estado abandonado pela força da corrupção”, justificou.

Para Marinho, Bolsonaro e Witzel têm “muitas semelhanças na maneira de encarar a questão política”. “Quando houve o rompimento entre eles, Witzel já chegou colocando a faixa de presidente, enquanto Bolsonaro já começou o mandato falando de reeleição”, ressaltou o empresário. Bolsonaro e Witzel estão há meses em conflito, e hoje o governador chegou a afirmar que o seu afastamento se deu por “motivos políticos”. Além disso, atacou diretamente a subprocuradora Lindora Araújo, que comanda a operação Lava Jato na Procuradoria-Geral da República (PGR), acusando-a de ter relações com a família Bolsonaro.

Marinho ressaltou, no entanto, que não acredita que o governador tenha se utilizado da polícia para investigar Flávio Bolsonaro. “É uma polícia que vem de longe, ninguém vai embarcar no projeto de um governador para ser investigado depois”, disse. Além disso, lembrou que a investigação que corre contra o senador — que começou em maio, após  Marinho ter afirmado que Flávio foi avisado previamente sobre a Operação Furna da Onça — é feita pelo Ministério Público Federal (MPF), e não pela polícia. Witzel é o sexto governador do Rio que se confronta com a Justiça. Nos últimos quatro anos, todos os cinco ex-governadores vivos já foram presos. Sérgio Cabral, réu confesso e condenado em 14 processos diferentes, é o único que segue preso e cumpre pena de quase 300 anos. Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Moreira Franco, Luiz Fernando Pezão e Moreira Franco recorrem em liberdade.

Denúncia contra Flávio Bolsonaro

Ao comentar sobre as denúncias que fez contra o senador Flávio Bolsonaro, Marinho voltou a dizer que resolveu falar anos depois por causa da morte do seu amigo Gustavo Bebianno, e da saída do ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Segundo o empresário, Bebianno sabia das irregularidades feitas por Flávio e “tinha intenção de contar essa história antes de morrer”. Já Moro saiu do governo acusando Jair Bolsonaro de tentar interferir nas investigações da Polícia Federal. “Minha história explica um pouco essa questão do Moro. Vou tentar colaborar com a versão que Moro deu para a saída dele”, afirmou. “Não tenho nenhum sigilo em tratar dessa questão do Flávio,  tudo o que eu narrei ali eu testemunhei, foi a expressão da verdade. Lamento até ter testemunhado isso, um assunto desses traz para você problemas, tenho filhos, família. Quando você faz uma revelação como aquela que eu fiz, você se expõe, eu pensei dez vezes antes”, completou.