‘Sistema é bom, mas precisa ser aperfeiçoado’, diz engenheiro que desenvolveu a urna eletrônica

Em entrevista ao programa ‘Os Pingos Nos Is’, Carlos Rocha falou sobre a PEC do voto impresso e a invasão ao sistema do TSE em 2018

  • Por Jovem Pan
  • 09/08/2021 20h23 - Atualizado em 09/08/2021 21h42
Carlos Rocha foi entrevistado no programa 'Os Pingos Nos Is'

Carlos Rocha, engenheiro que liderou o desenvolvimento da urna eletrônica nos anos 90, afirmou que o sistema utilizado no Brasil é bom e funciona, mas precisa ser aperfeiçoado. Em entrevista ao programa “Os Pingos Nos Is“, da Jovem Pan, nesta segunda-feira, 9, o profissional opinou sobre a proposta do voto impresso e sugeriu mudanças no sistema eleitoral brasileiro. “O Brasil tem um bom sistema, a equipe do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] é boa, a urna eletrônica é boa, mas estamos aqui há 25 anos depois que esse projeto nasceu, chega uma hora que a gente precisa aperfeiçoar o sistema”, defendeu. Segundo Rocha, a ideia do voto impresso no papel é um bom instrumento de auditoria. No entanto, ele lembrou que a proposta traz outros desafios operacionais e que, na legislação brasileira, a impressão de um documento não dá validade jurídica a ele. “Hoje os votos são todos reunidos em um arquivo único, uma grande planilha. Isso era uma boa solução há 20 anos, mas hoje a tecnologia oferece a certificação eleitoral. A nossa recomendação é criar um documento eletrônico para cada voto. Com isso será possível atender a todas as demandas que aqueles que defendem o voto auditável tem levantado”, sugeriu. 

Segundo o engenheiro, não existe sistema 100% seguro. Ele disse que a invasão ao sistema do TSE em 2018 é grave e afeta a credibilidade, por mais que nenhuma fraude tenha sido comprovada. “A urna eletrônica não permite a conexão pela internet, mas isso não quer dizer que ela não possa ser invadida”, afirmou. “O fato de que nunca houve fraude identificada não comprova em absoluto a segurança do sistema”, completou. Rocha também defendeu a descentralização do poder do TSE. “Não podemos manter o poder absoluto de manipular os resultados da eleição com um pequeno grupo de técnicos do TSE. Eu não estou dizendo que houve fraude ou não porque não há ferramenta para rastrear tentativa de fraude, mas o poder absoluto e centralizado de manipular os resultados da eleição é grave. Se torna mais grave ainda quando nós temos um evento confirmado de invasão em todos os sistemas do Tribunal durante mais de 8 meses. Isso compromete a credibilidade”, disse. 

Assista a entrevista completa no programa Os Pingos Nos Is desta segunda-feira, 9: