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Saúde

Câncer de próstata quase não dá sinais: quando começar a fazer exames?

O urologista Dr. Rafael Benjamim Rosa da Silva explica quem deve iniciar o rastreamento, por quê e como interpretar o PSA sem alarmismo

Brazil Health

câncer de próstata
câncer de próstata National Cancer Institute/Unsplash

Um dos maiores desafios do câncer de próstata é justamente sua capacidade de permanecer silencioso por anos. Na maioria dos casos, os tumores iniciais não causam dor, desconforto ou alterações urinárias, o que reforça a importância de discutir o rastreamento com um especialista.

O câncer de próstata é um dos tumores mais frequentes entre os homens e representa um importante problema de saúde pública. Quando sinais como dificuldade para urinar, sangue na urina ou dor óssea aparecem, a doença pode já estar em estágio avançado. Felizmente, quando identificado precocemente, as chances de tratamento e controle da doença costumam ser significativamente maiores.

O que é o rastreamento?

O rastreamento consiste na realização de exames em homens sem sintomas, com o objetivo de
identificar sinais da doença antes que ela se manifeste clinicamente.

Atualmente, o principal exame utilizado é o PSA (Antígeno Prostático Específico), realizado por meio de uma simples coleta de sangue. Dependendo do resultado e das características de cada paciente, o médico pode complementar a avaliação com exame físico da próstata e outros exames.

O objetivo não é diagnosticar câncer em todos os homens, mas identificar aqueles que apresentam maior risco e podem se beneficiar de uma investigação mais aprofundada.

Quem deve considerar o rastreamento


As recomendações mais recentes das sociedades médicas não defendem a realização indiscriminada de exames para toda a população masculina. Em vez disso, orientam uma estratégia individualizada, baseada nos fatores de risco e em uma conversa entre médico e paciente.

De maneira geral, homens a partir dos 50 anos devem conversar com seu urologista sobre os potenciais benefícios e limitações do rastreamento, avaliando individualmente a melhor estratégia para cada caso.

Alguns grupos merecem atenção especial e podem se beneficiar de uma avaliação mais precoce,
incluindo:

– Homens com histórico familiar de câncer de próstata;
– Homens negros;
– Portadores de determinadas alterações genéticas associadas ao aumento do risco da doença.

Nesses casos, a avaliação pode começar antes dos 50 anos, conforme orientação médica.

O PSA elevado significa câncer?

Não necessariamente.

Embora seja uma ferramenta extremamente importante, o PSA não é um exame específico para câncer. Alterações benignas da próstata, inflamações e infecções urinárias também podem provocar aumento dos seus níveis.

Por isso, um resultado alterado não significa automaticamente a presença de um tumor. Da mesma
forma, alguns homens com câncer podem apresentar valores considerados normais.

A interpretação correta deve sempre ser realizada por um especialista, levando em consideração idade, histórico familiar, exames anteriores e outras características clínicas.

O toque retal ainda é importante?

Apesar de ainda gerar desconforto e preconceito em algumas pessoas, o toque retal continua sendo uma ferramenta importante na avaliação da próstata.

O exame permite ao médico identificar alterações que nem sempre podem ser detectadas apenas pelo PSA. Quando realizado em conjunto com a avaliação clínica e laboratorial, contribui para uma análise mais completa do risco individual.

O que acontece se houver suspeita?

Caso os exames indiquem maior risco de câncer, o médico poderá solicitar exames complementares.

O que muda quando há suspeita

Nos últimos anos, a ressonância magnética multiparamétrica da próstata passou a desempenhar papel fundamental na investigação da doença, permitindo uma avaliação mais precisa das áreas suspeitas e auxiliando na decisão sobre a necessidade de biópsia.

Essa evolução permitiu reduzir procedimentos desnecessários e aumentar a precisão diagnóstica.

Quais são os benefícios do diagnóstico precoce?

O principal benefício do rastreamento é identificar tumores potencialmente agressivos antes que eles se espalhem para outros órgãos.

Estudos que embasam as diretrizes internacionais demonstram que estratégias de rastreamento
baseadas em risco podem reduzir a mortalidade por câncer de próstata e diminuir a ocorrência de
doença metastática, desde que realizadas de forma adequada e individualizada.

Existe alguma desvantagem?

Sim. Nem todos os cânceres de próstata apresentam comportamento agressivo.

Alguns tumores crescem tão lentamente que talvez nunca causem problemas ao longo da vida do
paciente. Por isso, a realização de exames sem critérios pode levar a diagnósticos e tratamentos
desnecessários.

Esse é justamente o motivo pelo qual as diretrizes atuais defendem a chamada decisão compartilhada: o paciente deve compreender tanto os benefícios quanto as limitações do rastreamento antes de decidir realizá-lo.

Quando procurar um urologista?

Se você tem 50 anos ou mais, possui familiares que tiveram câncer de próstata, pertence a grupos de maior risco ou simplesmente deseja entender melhor sua saúde, vale a pena conversar com um
urologista.

O rastreamento não é igual para todos os homens. A melhor estratégia é aquela construída de forma individualizada, considerando idade, histórico familiar, estado geral de saúde e expectativa de vida.

Embora o câncer de próstata continue sendo um importante desafio para a saúde masculina, os avanços no rastreamento e no diagnóstico permitem identificar muitos casos em fases iniciais. Conversar com um urologista e compreender seu risco individual são passos fundamentais para uma tomada de decisão consciente e baseada em evidências.

Dr. Rafael Benjamim Rosa da Silva – CRM-SP 218.713 | RQE 133.808
Cirurgião Geral

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