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Saúde

Ministério da Saúde suspende vacina do Butantan contra dengue

Decisão foi tomada após duas mortes suspeitas ocorreram depois da imunização

Fernando Keller

Aplicação da vacina da dengue do Butantan começará a partir do dia 17
Ministério da Saúde decidiu suspender o uso da vacina contra a dengue © Instituto Butantan/Divulgação

O Ministério da Saúde decidiu suspender o uso da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Butantan, conforme anunciado nesta segunda-feira (8).

A justificativa para a interrupção são três casos graves de hospitalizações após uso do imunizante. Duas pessoas morreram e uma terceira recebeu alta.

Uma mulher de 39 anos apresentou sintomas de dengue grave seis dias depois de tomar a vacina e teve que ser internada em UTI. Ela recebeu alta.

Uma outra mulher de 48 anos também desenvolveu sintomas graves, com comprometimento neurológico, após 19 dias da vacinação. Ela morreu. A segunda morte foi de um homem de 58 anos, que apresentou sintomas cinco dias após a aplicação, apresentando choque refratário.

Ainda não se pode concluir que os eventos foram causados pela vacina, segundo a pasta. A decisão foi anunciada em coletiva com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o diretor do Instituto Butantan.

Quem já tomou as vacinas continua imunizado e deve observar se apresenta os sintomas da doença nos próximos 21 dias após a imunização.

Vacina

O imunizante é o primeiro do mundo em dose única que previne contra a arbovirose, com tecnologia 100% nacional desenvolvida pelo Instituto Butantan.

O estudo é desenvolvido pelo Ministério da Saúde, pela Prefeitura de Botucatu, pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu e pelo Instituto Butantan.

A vacina Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e protege contra os quatro sorotipos da doença (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4).

O estudo clínico do imunizante Butantan-DV comprovou eficácia de 74% contra casos gerais de dengue, de mais de 91% contra casos graves e de 100% contra hospitalizações por dengue. Esse estudo foi realizado entre os anos de 2016 e 2024, com mais de 16 mil voluntários residentes de 14 estados brasileiros.

O primeiro imunizante contra a dengue em dose única no mundo adota a tecnologia de vírus vivo atenuado e foi desenvolvido pelo Instituto Butantan, a partir de uma parceria articulada pelo Ministério da Saúde com a empresa chinesa WuXi Vaccines.

Para o público de 10 a 14 anos, continua sendo ofertada a vacina internacional QDenga, de produção japonesa, com esquema de duas doses. Neste caso, a vacinação é feita exclusivamente em Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.