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Saúde

Sintomas e causas das feridas de sol nos lábios

Lesões crônicas na boca podem indicar queilite actínica, uma condição pré-cancerígena ligada à exposição solar sem proteção

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Pessoa com gelo na boca, entre os lábios.
Pessoa com gelo na boca, entre os lábios. Foto de Bjorn Pierre na Unsplash

As feridas de sol nos lábios, conhecidas no meio médico como queilite actínica, representam o acúmulo de danos causados pela radiação ultravioleta ao longo dos anos. Diferente de um simples ressecamento de inverno, essa condição provoca uma inflamação crônica e persistente, alterando a textura e a cor da pele da boca. Trata-se de um problema que exige atenção rigorosa, pois as lesões não cicatrizam sozinhas e podem evoluir para o câncer de lábio se forem ignoradas.

Sinais físicos da inflamação labial

O paciente costuma perceber que algo está errado quando o uso de hidratantes comuns não resolve o aspecto machucado da boca. Os sintomas físicos progridem lentamente e afetam, na grande maioria das vezes, o lábio inferior, que fica mais exposto à luz solar direta. Entre os sinais mais relatados nos consultórios estão:

  • Perda do contorno natural que separa o lábio da pele do rosto.
  • Descamação persistente que não melhora com a hidratação diária.
  • Sensação de aspereza constante, semelhante a uma lixa fina.
  • Rachaduras profundas que sangram com facilidade ao sorrir ou falar.
  • Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas que não desaparecem da mucosa.
  • Ardência e sensibilidade excessiva ao consumir alimentos quentes ou ácidos.

A origem das lesões solares

O aparecimento desse quadro está diretamente ligado à exposição solar sem barreira de proteção. A pele dos lábios é extremamente fina, possui pouca melanina (o pigmento que dá cor e protege a pele) e não produz sebo natural para se lubrificar por conta própria. Quando a pessoa passa anos trabalhando ao ar livre ou frequentando praias sem proteger o rosto, os raios solares danificam as células dessa região fina de forma irreversível.

Segundo estimativas recentes do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para 2026, o Brasil deve registrar cerca de 10,9 mil novos casos de câncer de lábio. A esmagadora maioria ocorre em homens que exercem atividades externas, como agricultura e construção civil, e que historicamente negligenciam os cuidados com o rosto. O lábio inferior recebe os raios de cima para baixo, enquanto o lábio superior fica naturalmente sombreado pelo nariz, o que explica a maior concentração de feridas na parte de baixo da boca.

Como ocorre o diagnóstico no consultório

A avaliação inicial é feita clinicamente pelo dermatologista ou pelo cirurgião-dentista especialista em doenças da boca (estomatologista). O profissional examina a textura da pele, verifica a presença de áreas endurecidas e faz perguntas sobre a rotina de trabalho e os hábitos de exposição solar do paciente. A palpação cuidadosa ajuda a identificar pequenos nódulos internos que não são visíveis a olho nu.

Caso o especialista note alguma ferida suspeita que não cicatriza há mais de duas semanas, o passo seguinte é solicitar uma biópsia. Esse procedimento rápido e feito com anestesia local retira um fragmento minúsculo do lábio para análise em laboratório. O resultado do microscópio é o que confirma se as alterações celulares ainda são apenas uma resposta à inflamação crônica ou se já configuram um tumor maligno em fase inicial.

Opções gerais de cuidado e tratamento

O caminho para tratar o problema depende inteiramente do estágio das lesões. Nas fases mais leves, a prioridade absoluta é estancar o dano solar contínuo. É nesse ponto que entender por que é importante usar protetor solar labial para evitar feridas de sol se torna a principal medida preventiva contra a evolução da doença. O uso de bastões com fator de proteção solar (FPS) acima de 30 torna-se obrigatório, inclusive em dias nublados, atuando como um escudo diário contra os raios ultravioleta.

Quando as alterações celulares já estão estabelecidas, o médico pode indicar tratamentos que renovam a pele. Isso inclui o uso de pomadas específicas prescritas para eliminar as células danificadas, terapias a laser para remover a camada superficial do lábio ou o uso de nitrogênio líquido para congelar as lesões. Em quadros mais avançados, onde há risco iminente ou confirmação de câncer, a intervenção cirúrgica é o caminho adotado para retirar a área afetada com a devida margem de segurança.

Dúvidas frequentes sobre proteção e saúde da boca

O protetor solar de corpo pode ser passado nos lábios?

Não é o ideal. Os produtos corporais têm gosto ruim, textura inadequada e acabam sendo engolidos facilmente ao falar ou comer. O bastão labial é formulado com ceras que garantem maior fixação na mucosa e resistem melhor ao contato constante com a saliva.

Apenas a manteiga de cacau protege contra as feridas?

A manteiga de cacau oferece excelente hidratação e evita rachaduras causadas pelo frio, mas não possui filtros contra a radiação ultravioleta. Para bloquear de fato os danos do sol, o produto precisa conter o selo de FPS claramente indicado no rótulo.

O surgimento de qualquer machucado, mancha ou aspereza nos lábios que persista por mais de quinze dias exige avaliação médica imediata. Tentar resolver o problema em casa com pomadas caseiras, receitas da internet ou medicamentos indicados por conhecidos pode atrasar o diagnóstico de lesões graves e piorar consideravelmente o quadro clínico. As informações detalhadas nesta reportagem têm caráter estritamente educativo e não substituem, em nenhuma hipótese, a consulta presencial com um dermatologista ou cirurgião-dentista para a definição do tratamento adequado.