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Hezbollah insiste em ‘direito’ de defesa e rejeita diálogo político com Israel

Movimento libanês e Estado israelense travaram um conflito que se intensificou em setembro de 2024, no qual centenas de alvos no Líbano foram bombardeados por Tel Aviv

Nicolas Robert

Destruction in southern Lebanon as Israel-Hezbollah ceasefire holds
Destruction in southern Lebanon as Israel-Hezbollah ceasefire holds EFE/EPA/ATEF SAFADI

O movimento libanês pró-iraniano Hezbollah alegou nesta quinta-feira (6) seu “direito legítimo” de defesa contra Israel e rejeitou “qualquer negociação política” com o país vizinho. Simultaneamente à guerra de Gaza iniciada em outubro de 2023, Hezbollah e Israel travaram um conflito que se intensificou em setembro de 2024, no qual o Exército israelense bombardeou centenas de alvos no Líbano e matou, entre outros, o histórico líder do partido, Hassan Nasrallah.

Apesar do cessar-fogo que, em novembro de 2024, encerrou o confronto, o Exército israelense continua realizando ataques regulares contra redutos do Hezbollah no Líbano e mantém tropas em cinco pontos no sul do país. “Reafirmamos nosso direito legítimo (…) de nos defender de um inimigo que impõe a guerra ao nosso país e não cessa suas agressões”, declarou o movimento em uma “carta aberta” dirigida ao povo e aos dirigentes libaneses.

O Hezbollah também afirmou ser contra “qualquer negociação política com Israel”, país com o qual o Líbano segue tecnicamente em estado de guerra, e estimou que tal negociação não serviria “ao interesse nacional”.

Nesta mesma quinta-feira, o governo libanês deve examinar o avanço de seu esforço para desarmar o movimento, o único que se recusou a entregar as armas após a guerra civil de 1975-1990.

Como parte do cessar-fogo – que o Hezbollah diz respeitar -, o governo de Beirute ordenou ao Exército organizar um plano para desarmar o grupo libanês. Mas o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, acusou o presidente libanês, Joseph Aoun, de “procrastinar” em relação a esse plano.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se somou à pressão e acusou o Hezbollah de tentar “rearmar-se” após os danos substanciais sofridos em seu conflito com o Estado de Israel.

O líder do movimento xiita, Naim Qasem, disse no fim de setembro que o grupo rejeita o desarmamento, em uma cerimônia por ocasião do aniversário do assassinato de Nasrallah.

Uma fonte próxima ao Hezbollah indicou à AFP que a “carta aberta” foi divulgada após enviados americanos e egípcios pressionarem as autoridades libanesas a abrir negociações políticas diretas com Israel.

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O enviado americano Tom Barrack considerou no sábado (1º) em Manama, capital do Bahrein, que o “diálogo com Israel” poderia ser a chave para reduzir as tensões.

O Exército israelense intensificou nos últimos dias seus ataques no Líbano, alegando que deseja impedir que o movimento xiita reconstitua sua capacidade militar. Pelo menos uma pessoa morreu nesta quinta-feira em um novo bombardeio no sul do país, indicou o Ministério da Saúde libanês. O Exército israelense afirmou ter atacado membros da unidade de reconstrução do Hezbollah.

*Com informações da AFP
Publicado por Nícolas Robert

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