Padres da Alemanha desafiam proibição do Vaticano ao abençoar união do mesmo sexo
Um movimento que já conta com a participação de 100 padres está abençoando a união de casais do mesmo sexo ao longo dessa semana na Alemanha. A atitude representa uma desobediência ao Vaticano, que em março reiterou, em um comunicado assinado pelo Papa Francisco, que casais homoafetivos não podem se casar e tampouco ter as suas uniões abençoadas pela Igreja Católica. A decisão foi divulgada depois que mais de dois mil padres, teólogos e outros membros da religião da Alemanha e da Áustria tinham assinado uma petição a favor da bênção de casais do mesmo sexo. Agora, cidades como Berlim, Munique e Colônia, além de outras regiões rurais da Alemanha, voltaram a desafiar o Vaticano com a iniciativa batizada de “Liebe Gewinnt“, que significa “Amor Vence” em alemão. Em entrevista à agência de notícias Reuters, o padre Christian Olding, que faz parte do movimento, justificou que a Igreja Católica está perdendo o contato com a “realidade viva” das pessoas LGBT+.
“Se dissermos que Deus é amor, não posso dizer às pessoas que abraçam a lealdade, a unidade e a responsabilidade umas com as outras que o amor delas não é amor, que é um amor de quinta ou sexta classe. Estou ansioso pela bênção. Teremos todas as formas de relacionamento: casamentos heterossexuais clássicos, casais divorciados e recasados, casais não casados e, sim, também casais do mesmo sexo. Teremos toda a diversidade do amor”, afirmou. O presidente da Conferência Episcopal Alemã, Dom Georg Batzing, disse que a iniciativa desses padres “não é um sinal útil ou um caminho a seguir” porque as liturgias da bênção “não são um instrumento adequado para manifestações eclesiais ou atos de protesto”. No entanto, ele reconheceu que existe a necessidade de uma “reavaliação das uniões homossexuais e um maior desenvolvimento da moralidade sexual da Igreja”. O parecer de Batzing foi divulgado pela agência de notícias da sede da Igreja Católica, o Vatican News.
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