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Cerca de 200 mil pessoas retornam ao norte de Gaza após cessar-fogo de Israel

Segundo o Exército de Israel, suas tropas estão se posicionando ao longo das 'linhas de retirada' em preparação para a implementação do acordo

Sarah Américo

Israel permite que palestinos retornem ao norte de Gaza pela primeira vez em mais de um ano
Israel permite que palestinos retornem ao norte de Gaza pela primeira vez em mais de um ano HASHEM ZIMMO/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

Israel anunciou nesta sexta-feira (10) a entrada em vigor do cessar-fogo em Gaza, após um acordo firmado com o movimento islamista Hamas. O pacto prevê também a libertação dos reféns israelenses mantidos no enclave dentro de um prazo de 72 horas. Com o início da trégua, anunciado pelo Exército israelense às 9h GMT (6h em Brasília), milhares de palestinos deslocados – cerca de 200 mil – começaram a retornar às suas casas, principalmente do sul para o norte da Faixa de Gaza. Muitos, no entanto, encontraram os bairros completamente destruídos após semanas de intensos bombardeios.

Segundo o Exército de Israel, suas tropas estão se posicionando ao longo das “linhas de retirada” em preparação para a implementação do acordo. A força militar alertou, porém, que algumas áreas seguem “extremamente perigosas”.

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O cessar-fogo e a libertação dos reféns foram aprovados na quinta-feira (9), após quatro dias de negociações indiretas mediadas pelo Egito. O entendimento segue um plano de 20 pontos proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de encerrar dois anos de guerra na região. De acordo com o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, “o período de 72 horas para a liberação de reféns começou” após a confirmação da primeira fase da retirada israelense.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que dos 48 reféns ainda detidos em Gaza, 20 estão vivos e 28 morreram. Em contrapartida, Israel deve libertar 250 detidos por razões de segurança e 1.700 palestinos presos desde outubro de 2023. Nenhum dos nomes divulgados na lista israelense pertence a lideranças da luta armada palestina. O acordo ocorre quase dois anos após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixou 1.219 mortos em Israel, em sua maioria civis. Desde então, a ofensiva israelense provocou mais de 67 mil mortes em Gaza, segundo dados do Ministério da Saúde do enclave, considerados confiáveis pela ONU.

Enquanto famílias israelenses aguardam com esperança o retorno dos reféns, milhares de palestinos atravessam um cenário de escombros e perda. “Este retorno está cheio de feridas e dor”, disse à AFP o deslocado Ameer Abu Iyadeh, de 32 anos, em Khan Yunis. “Só esperamos que a guerra acabe de uma vez por todas, para não termos que fugir nunca mais”, afirmou Mohamed Mortaja, de 39 anos, enquanto caminhava de volta à Cidade de Gaza.

Em nota conjunta, os governos da Alemanha, Reino Unido e França pediram ao Conselho de Segurança da ONU que apoie integralmente o plano de paz promovido pelos Estados Unidos. Paralelamente, a Associação de Imprensa Estrangeira em Jerusalém cobrou que Israel permita o acesso independente de jornalistas a Gaza, bloqueado desde o início da guerra.

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*Com informações da AFP