Bolsonaro fala em ‘impor’ escolas cívicos-militares para evitar ‘dependentes de programas sociais’
Durante o lançamento do programa nacional das escolas cívico-militares, que aconteceu nesta quinta-feira (5), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) sugeriu que a implantação desses colégios deve ser imposta, e não uma escolha dos cidadãos. De acordo com ele, a educação por meio dessas escolas evitará que, no futuro, as crianças se tornem “dependentes de programas sociais”.
“Se aquela garotada está na quinta série, está na nona série e na prova do Pisa [Programa Internacional de Avaliação de Alunos] não sabe uma regra de três simples, não sabe interpretar um texto, não responde a uma pergunta básica de ciência, me desculpa, não tem que perguntar para o pai, irresponsável nesta questão, se ele quer ou não uma escola, de certa forma, com militarização. Tem que impor, tem que mudar. Nós não queremos que essa garotada cresça e, no futuro, seja um dependente até morrer de programas sociais do governo”, declarou.
Em seguida, ele parabenizou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), pela militarização que já promoveu em alguns colégios e ressaltou a necessidade de imposição. “Temos aqui a presença física do nosso governador do DF, Ibaneis. Parabéns, governador, com essa proposta. Vi que alguns bairros tiveram votação e não aceitaram. Me desculpa, não tem que aceitar, não. Tem que impor.”
O programa
Podem receber a gestão cívico-militar escolas de Estados e Distrito Federal. O governo pretende implantar a gestão em 216 escolas até 2023, sendo 54 por ano. A ideia é que os militares atuem em tutorias e na área administrativa e que, em sala de aula, os professores continuem sendo civis.
Estados e o DF têm de 6 a 27 de setembro para indicar duas escolas que poderão receber o projeto já no primeiro semestre letivo de 2020. Os colégios devem ter de 500 até mil alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental ou alunos de ensino médio.
*Com Estadão Conteúdo