JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Brasil sem Filtro | 02h30 - 03h30
Saúde

Diabetes e rins: como prevenir a progressão para doença renal crônica

O controle rigoroso do diabetes ajuda a preservar a saúde dos rins e evita complicações graves ao longo do tempo

Felipe Cerqueira

Mulher diabética de alto ângulo, verificando seu nível de glicose
2150775205 Freepik

Você tem diabetes? Então seus rins merecem atenção redobrada, pois podem ser diretamente afetados pela doença. O que muita gente não sabe é que o diabetes é a principal causa de doença renal crônica (DRC) no mundo. Estima-se que 4 em cada 10 pessoas com diabetes desenvolvam algum grau de DRC. No Brasil, cerca de 32% dos pacientes em diálise têm o diabetes como causa da falência renal, número que pode ser ainda maior em algumas regiões.

Por que o diabetes prejudica os rins?

A nefropatia diabética é uma complicação comum tanto no diabetes tipo 1 quanto no tipo 2. Com o tempo, a glicemia mal controlada danifica os vasos sanguíneos dos rins, responsáveis pela filtragem do sangue. Além disso, a pressão arterial elevada, frequente em pessoas com diabetes, acelera esse processo.

O problema é que esse dano renal geralmente evolui de forma lenta e silenciosa. Na maioria dos casos, não há sintomas nas fases iniciais, e muitos só descobrem a doença quando ela já está avançada — em um estágio em que a diálise pode ser inevitável. Por isso, a única forma de detectar precocemente a doença renal diabética é por meio de exames de sangue e urina regulares.

Detecção precoce e diagnóstico

O diagnóstico tradicional se baseia na presença de proteínas (albuminúria) na urina e na avaliação da taxa de filtração glomerular estimada (TFGe). Embora essa combinação ainda seja o padrão, estudos mostram que, em alguns pacientes, a queda da TFGe pode ocorrer mesmo sem albuminúria. Isso reforça a importância do acompanhamento regular.

Prevenção e tratamento da doença renal diabética

A boa notícia é que a lesão renal relacionada ao diabetes pode ser prevenida ou retardada com medidas simples e eficazes:

  • Controle rigoroso da glicemia: manter a hemoglobina glicada (HbA1c) abaixo de 7%, ajustando a meta individualmente. Além da metformina e da insulina, medicamentos como os inibidores de SGLT2 (empagliflozina e dapagliflozina) oferecem proteção renal e cardiovascular comprovada.
  • Controle da pressão arterial: preferência pelo uso de medicamentos que bloqueiam o sistema renina-angiotensina (como losartana ou enalapril) em pacientes com albuminúria ou queda da função renal.
  • Novas terapias: a finerenona, um antagonista não esteroidal do receptor mineralocorticoide, demonstrou reduzir a perda de proteínas na urina e retardar a progressão da disfunção renal.
  • Mudanças de estilo de vida: alimentação com pouco sal, restrição moderada de proteínas, prática regular de exercícios físicos, abandono do tabagismo e controle do colesterol e do peso corporal.

Acompanhamento contínuo: garanta a saúde dos rins

Mesmo que você se sinta bem, é essencial avaliar a função renal ao menos uma vez por ano caso tenha diabetes. A detecção precoce e o controle adequado dos fatores de risco são as melhores estratégias para evitar complicações graves no futuro e garantir qualidade de vida.

Dra. Carlucci Ventura – CRM/SP 75746
Nefrologista, Membro da International Society of Nephrology

[jp-related-posts ids=”2020180,2017410″]