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Eliseu Caetano

Maduro e esposa são convocados à Justiça em Nova York após novas acusações de tortura

Audiência será nesta quinta-feira (15); acusação atualizada também inclui a mulher do ex-presidente venezuelano no crime de conspiração para narcoterrorismo

Eliseu Caetano

CARACAS, VENEZUELA – 21 DE NOVEMBRO: O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chega acompanhado de sua esposa, Cilia Flores, para as celebrações do Dia do Estudante no Palácio de Miraflores, em Caracas, Venezuela, em 21 de novembro de 2025. Pedro Mattey / Anadolu (Foto de Pedro Mattey / Anadolu via AFP)
Foto de arquivo de Cilia e Maduro Pedro Mattey / Anadolu via AFP

O juiz federal Alvin Hellerstein marcou para esta quinta-feira (15), às 11h no horário de Nova York — meio-dia em Brasília — uma audiência para que Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, respondam às novas acusações apresentadas pela Procuradoria dos Estados Unidos. A convocação foi determinada nesta quarta-feira.

A audiência será destinada à apresentação formal da acusação atualizada. Nessa etapa, os réus poderão se declarar culpados ou não culpados. Não se trata do julgamento nem de uma audiência para anunciar sentença.

A nova denúncia, tornada pública em 8 de outubro, acrescenta a acusação de conspiração para cometer tortura contra Maduro e Flores. Também inclui Flores na acusação de conspiração para narcoterrorismo, que anteriormente recaía sobre Maduro.

Segundo a Procuradoria, o casal participou de uma estrutura de repressão que utilizava detenções arbitrárias, violência e tortura para silenciar adversários políticos. Entre as vítimas descritas estão cidadãos americanos. Os relatos incluem choques elétricos, asfixia, violência sexual, privação de alimentos e ameaças contra familiares.

As autoridades americanas atribuem ao casal participação na organização e manutenção desse sistema, com apoio de integrantes das forças militares, policiais e de outros órgãos venezuelanos. Essas afirmações fazem parte da acusação e ainda precisam ser comprovadas em julgamento.

Maduro, de 63 anos, e Flores, de 69, foram capturados em Caracas em 3 de janeiro, durante uma operação militar americana ordenada pelo presidente Donald Trump, e levados a Nova York. Os dois permanecem presos no Brooklyn. O julgamento está previsto para começar em 1º de junho de 2027.

A acusação atualizada reúne cinco imputações: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para cometer tortura, conspiração para importar cocaína e dois crimes relacionados ao uso ou à posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos associados às atividades de tráfico.

A conspiração para cometer tortura prevê pena máxima de 20 anos. A conspiração para narcoterrorismo tem pena mínima de 20 anos e máxima de prisão perpétua. Outras acusações também podem resultar em prisão perpétua, dependendo de eventual condenação. As penas efetivamente aplicadas serão determinadas pelo juiz.

A defesa de Maduro rejeita as novas imputações. Seu advogado, Barry J. Pollack, afirmou que o ex-presidente “nega as acusações da nova denúncia e aguarda seu dia no tribunal”, em tradução do inglês.

Em 8 de outubro, Hellerstein também negou um pedido para que Flores aguardasse o julgamento fora da prisão. A defesa alegou que ela precisava de um procedimento médico e propôs prisão domiciliar com segurança privada. O juiz considerou insuficientes as condições apresentadas para autorizar a soltura.

Maduro e Flores já haviam se declarado não culpados das acusações anteriores. A audiência desta quinta-feira permitirá que se manifestem formalmente sobre a denúncia atualizada. Ambos continuam presumidos inocentes até que a acusação seja comprovada em tribunal.

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