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Vance se afasta, investigações: a nova realidade de Trump após derrota nas eleições

Presidente se depara com um cenário político radicalmente diferente daquele que vivenciou desde janeiro de 2025, quando assumiu seu segundo mandato

AFP

Presidente dos EUA, Donald Trump
Presidente dos EUA, Donald Trump SAUL LOEB / AFP

Dois dias após a histórica derrota eleitoral nas eleições de meio de mandato, o presidente Donald Trump enfrenta sua nova realidade política, com a oposição democrata determinada a usar suas maiorias no próximo Congresso para reduzir preços e combater o “cartel” na Casa Branca.

Após perder o controle da Câmara de Representantes e do Senado, Trump se depara com um cenário político radicalmente diferente daquele que vivenciou desde janeiro de 2025, quando assumiu seu segundo mandato.

As eleições de terça-feira representaram um revés para o mandatário de 80 anos; além dos problemas que isso trará para a sua governabilidade, o resultado marca o seu fim como líder do Partido Republicano.

Seu vice-presidente, JD Vance, se distanciou publicamente de Trump ao afirmar, na quarta-feira, que a guerra no Irã foi a “razão” da derrota republicana, uma mensagem que pode abrir caminho para sua própria candidatura presidencial em 2028.

Segundo a apuração dos votos até a manhã desta quinta-feira, os democratas terão 54 das 100 cadeiras do Senado, além de uma ampla maioria na Câmara dos Representantes.

Com a maioria, os democratas prometem iniciar investigações sobre Trump e seu governo, além de conter a inflação.

“A corrupção em larga escala que o país sofreu nas mãos do ‘cartel de Trump’ explica por que tão pouco está sendo feito para ajudar os cidadãos americanos comuns”, afirmou, na quarta-feira, o líder democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries.

“Isso vai mudar imediatamente”, disse, acrescentando que os democratas farão com que “os criminosos prestem contas”.

Segundo a agenda de imprensa da Casa Branca, Trump não tinha eventos públicos programados para esta quinta-feira.

A primeira-dama, Melania Trump, deve previsto receber, na Casa Branca, representantes ucranianos e russos, antes das negociações em Abu Dhabi sobre o possível fim da guerra entre os dois países.

“O pior cenário”

Na tentativa de minimizar o revés eleitoral, Trump exibiu com orgulho, na quarta-feira, diante da imprensa, o mármore e as colunas coríntias de seu novo salão de baile atualmente em construção e com um custo de 400 milhões de dólares (R$ 2,1 bilhões).

No entanto, o presidente reconheceu que o que Vance dissera sobre a guerra com o Irã era “em grande parte verdade, pois provocou a alta no preço da gasolina”, um dos fatores-chave para a derrota republicana.

Ainda assim, ele não recuou: “Mas, ao mesmo tempo, se tivesse que fazer de novo, faria. Porque, a longo prazo, essa é a única solução. Não se pode permitir que o Irã tenha uma arma nuclear”.

Trump acrescentou que “se dará bem” com os democratas, embora pretenda usar seu poder de veto contra iniciativas da oposição no Congresso que não lhe agradem.

O presidente previu que, caso seus adversários avancem com um novo processo de impeachment, o que seria o terceiro durante seus mandatos, isso “destruiria” o Partido Democrata.

Além do controle legislativo, Trump enfrenta disputas internas em seu próprio partido.

“Isso se aproxima de um evento de nível de extinção para os republicanos em muitas partes do país, algo que provavelmente não se via nos últimos 100 anos”, declarou Ron DeSantis, governador republicano da Flórida.

“Isso vai durar muito mais do que dois anos”, afirmou DeSantis, referindo-se à derrota. “Precisamos ser muito realistas. Provavelmente, este é o pior cenário político possível para uma eleição de meio de mandato”.

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