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Sánchez desafia oposição da Espanha a apresentar moção de censura

Presidente espanhol participou de uma longa reunião do seu partido para realizar mudanças, após a divulgação de um relatório que acusa o número três do grupo de cobrar propina em troca de contratos públicos

Fernando Keller

Pedro Sanchez
Sánchez asegura que el PSOE en una "organización limpia" que nunca actuará como el PP EFE/ Javier Lizón

O socialista Pedro Sánchez, chefe de governo da Espanha, afetado por um escândalo de corrupção envolvendo dois colaboradores, respondeu nesta segunda-feira (16) aos pedidos de renúncia da oposição desafiando-a a apresentar uma moção de censura. “Que apresentem uma moção de censura e digam ao Parlamento e aos cidadãos e cidadãs que modelo de país querem para a Espanha”, disse Sánchez em coletiva de imprensa, dirigindo-se ao Partido Popular (PP), conservador e principal opositor, e ao partido de extrema direita Vox, que não formam maioria no Congresso. Sánchez participou de uma longa reunião do seu partido para realizar mudanças, após a divulgação de um relatório policial que acusa o número três do partido, Santos Cerdán, de cobrar propina em troca de contratos públicos. O relatório também cita o ex-ministro e ex-braço direito de Sánchez, José Luis Ábalo, e o assessor dele, Koldo García.

Cerdán renunciou na última sexta-feira como secretário de Organização do PSOE e hoje como deputado, enquanto Ábalos foi expulso definitivamente do partido nesta segunda-feira. Ambos tiveram um papel de destaque na promoção de Sánchez como líder do PSOE em 2017. Na semana passada, este último pediu desculpas pelo escândalo. O chefe de governo defendeu a resposta rápida do seu partido e voltou a descartar uma renúncia ou antecipação das eleições. “O PSOE é uma organização limpa”, ressaltou. “Não vamos encobrir a corrupção que surgir em nossas fileiras, por mais dolorosa que seja.”

Sánchez e os socialistas governam em minoria, com o apoio de partidos de extrema esquerda e nacionalistas catalães e bascos, com os quais vai se reunir para dar explicações. O primeiro desses encontros aconteceu hoje, com Yolanda Díaz, líder do partido de extrema esquerda Sumar e terceira vice-presidente, que exigiu de Sánchez “a limpeza absoluta de todos as partes” do PSOE envolvidas no escândalo.

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O porta-voz do Partido Popular, Borja Sémper, conversou com jornalistas depois de Sánchez, para pedir que ele renuncie e convoque eleições. “Queremos que anuncie a dissolução das cortes e a convocação de eleições. O único futuro possível, digno, é dar a palavra aos espanhóis.” Sánchez, que governa desde 2018, passa por seu momento de maior fragilidade e tem outras frentes judiciais abertas. Sua mulher, Begoña Gómez, é investigada por suspeita de corrupção e tráfico de influência, por sua contratação em uma instituição pública. Já o procurador-geral, nomeado pelo governo, está prestes a se sentar no banco dos réus pelo vazamento de documentos judiciais contra a oposição.

*Com informações da AFP
Publicado por Fernando Dias

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