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Macroeconomia

Ata do Copom destaca riscos externos após aumento da Selic e impacto limitado de novo crédito consignado

Na última quarta-feira (7), Banco Central elevou a taxa básica de juros para 14,75% ao ano; colegiado manteve em aberto seus próximos passos

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Gabriel Galípolo
54213725312_e09b08f7b6_k Raphael Ribeiro/BCB

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central indicou nesta terça-feira (13) que seguirá com cautela em suas próximas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano — o maior patamar desde 2006. A ata da reunião, realizada na semana passada, mostra que o comitê vê sinais iniciais de desaceleração da atividade econômica, em linha com o efeito esperado da política de juros elevados, mas destaca que os riscos para a inflação seguem elevados e o cenário global continua incerto.

Segundo o Copom, a alta dos juros já tem provocado impactos no crédito, no câmbio, nos balanços das empresas e em indicadores do mercado de trabalho. Esses efeitos, considerados necessários para levar a inflação à meta de 3%, devem se intensificar nos próximos trimestres. A meta é considerada cumprida se o IPCA variar entre 1,5% e 4,5%. Apesar da expectativa de desaceleração, o comitê destacou que o cenário atual “prescreve” uma política monetária em nível “significativamente contracionista” por um período prolongad

A ata também mencionou a recente criação do crédito consignado privado — modalidade que permite desconto automático em folha de pagamento de empresas privadas — como um fator que eleva temporariamente a renda disponível da população ao trocar dívidas caras por mais baratas. O Copom reconheceu um possível impacto positivo no crescimento, mas considerou o efeito inicial limitado e ainda cercado de incertezas, já que o programa está em fase inicial. Além disso, o comitê alertou que essa medida pode representar uma mudança estrutural no mercado de crédito, o que exigirá acompanhamento contínuo para avaliar seus efeitos sobre a atividade econômica e o combate à inflação.

O Copom destacou que o estímulo fiscal dos últimos anos segue pressionando a economia. Embora uma política fiscal que ajude a reduzir o risco-país e atue de forma contracíclica possa colaborar com o controle da inflação, o comitê vê a atual postura do governo como expansionista, o que dificulta a atuação da política monetária. Economistas concordam que os estímulos fiscais continuam sendo um dos principais riscos de alta para a inflação. O colegiado também chamou atenção para o ambiente internacional incerto, com destaque para a política comercial dos Estados Unidos — em especial as novas tarifas impostas por Washington — que podem afetar cadeias globais de produção e impactar decisões de investimento e consumo em diversos países.

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Na avaliação do BC, esse cenário exige ainda mais cautela na condução da política monetária no Brasil, especialmente em um momento em que os ativos financeiros globais estão mais voláteis e a inflação internacional pode variar de forma desigual entre os países. Diante de tantas incertezas, o Copom manteve em aberto seus próximos passos. Parte do mercado aposta na manutenção da Selic em 14,75% na próxima reunião, enquanto outra parte não descarta uma alta residual de 0,25 ponto percentual, caso os riscos inflacionários aumentem. O comitê enfatizou que a decisão dependerá da evolução dos dados econômicos e seguirá guiada pela busca da convergência da inflação à meta.

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Publicado por Felipe Dantas

*Reportagem produzida com auxílio de IA