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Macroeconomia

Copom deve elevar juros a 14,75% ao ano, o maior nível em quase 20 anos

Caso se confirme aumento de 0,5 ponto percentual, a nova taxa iguala o nível de julho de 2006, no final do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

ia samy

Reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil.
54295482524_c225e799ac_k Raphael Ribeiro/Banco Central

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) deve anunciar nesta quarta-feira (7) mais um aumento da taxa básica de juros (Selic), consolidando o ciclo de alta que já dura oito meses. A expectativa predominante no mercado financeiro é de uma elevação de 0,5 ponto percentual, levando a Selic a 14,75% ao ano — patamar mais alto desde agosto de 2006. Caso se confirme, a nova taxa iguala o nível de julho de 2006, no final do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Naquela ocasião, no entanto, o Banco Central caminhava para cortar os juros, enquanto agora o movimento é de aperto.

A elevação da Selic tem como objetivo conter a inflação, que segue acima da meta oficial. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 5,48% nos últimos 12 meses, pressionado principalmente pelo aumento dos alimentos e dos gastos com saúde. A meta inflacionária para este ano é de 3%, com teto de 4,5%. Segundo o próprio BC, há 70% de chance de a meta ser descumprida.

A decisão do Copom ocorre em um contexto global de incertezas, influenciado pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e pelas políticas do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Apesar da pressão do presidente Donald Trump por corte de juros nos EUA, o Fed deve manter sua taxa básica entre 4,25% e 4,50% ao ano nesta “superquarta”, quando Brasil e EUA anunciam as direções de suas políticas monetárias. Ainda há divergências sobre o rumo da política monetária a partir de agora. Parte dos analistas aposta que o Copom ainda realizará um ajuste final em junho, com aumento menor, de 0,25 ponto, levando a Selic a 15% ao ano. Outra parcela acredita que a alta desta quarta-feira já marcará o fim do ciclo de elevações.

O aumento da Selic eleva o custo do crédito, desestimula o consumo e os investimentos, e tende a frear a atividade econômica. Apesar dos juros elevados, a taxa de desemprego subiu a 7% no primeiro trimestre, mas segue no menor nível para o período desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012. Com o mercado de trabalho aquecido, a renda média da população voltou a bater recorde, o que ajuda a sustentar o consumo.

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Com a nova decisão, o mercado ajustou suas projeções: a mediana das estimativas para a Selic ao fim de 2025 caiu para 14,75% ao ano, primeira revisão para baixo após 16 semanas. Entretanto, não se espera que os juros voltem a um dígito antes de 2028, o que indica um cenário prolongado de juros altos para controlar a inflação. A decisão do Copom será divulgada no fim da tarde desta quarta-feira.

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Publicado por Felipe Dantas

*Reportagem produzida com auxílio de IA