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Patrícia Costa

Análise climática está mais presente no sistema financeiro, aponta BC

Relatório do Banco Central diz que os riscos ainda são baixos, mas dobrou o número de instituições que relataram perdas causadas por eventos como secas e enchentes

Patricia Costa

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O novo Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central confirma uma percepção que vem ganhando força: os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos pelo sistema financeiro brasileiro. Em 2024, mais que dobrou o número de instituições que relataram perdas causadas por eventos como secas e enchentes. O órgão ainda classifica os impactos como “baixos”, mas o crescimento da exposição é inegável. Esse dado é um termômetro importante. Embora não represente risco imediato para a estabilidade do sistema, ele sinaliza que o clima deixou de ser uma variável externa e passou a influenciar diretamente decisões econômicas e de crédito. As perdas são mais visíveis em setores como agricultura, energia e logística — todos sensíveis a variações climáticas. Segundo a Embrapa, os impactos no agro brasileiro já somam R$ 11 bilhões por ano apenas com perdas de safra ligadas a extremos do clima. Com base nessas informações, não se trata mais de perguntar se o risco climático afeta a economia, mas “como” e “quando” ele exigirá adaptações mais robustas.

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Mais instituições financeiras estão incorporando variáveis climáticas em suas análises de risco, o que é positivo. Mas o ritmo ainda é desigual — e o desafio será avançar para um modelo que considere cenários climáticos futuros na precificação de ativos e concessão de crédito. Organizações projetam que, se medidas de adaptação e mitigação não forem adotadas, o PIB global poderá encolher até 18% até 2050 devido aos impactos do aquecimento global. Mesmo que esse número seja apenas uma projeção de longo prazo, ele reforça a importância de tomar decisões hoje com foco em resiliência para o amanhã.

O Brasil reúne condições únicas para liderar soluções sustentáveis: é potência agrícola, energética e ambiental. Esse tripé, se bem coordenado, pode se transformar em vantagem competitiva global, inclusive na atração de investimentos. Mas isso exige planejamento, inovação e cooperação entre setor público e privado. Neste momento, o que os dados indicam é que estamos numa fase de transição. O risco climático deixou de ser abstrato e começou a aparecer nos relatórios financeiros. A questão agora é como transformar esse alerta inicial em ação.

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