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Bia Garbato

Dia dos Namorados: o que fiz sem uma caixa de bombons

Meu estado civil: feliz comigo mesma

Bia Garbato

caixa de bombom
caixa de bombom Unsplash/ Ciocan Ciprian

Recentemente, foi o Dia dos Namorados. Não me lembro quando foi a última vez em que passei a data sozinha. Na verdade, nem sei se isso aconteceu desde 1999, quando comemorei o dia mais romântico do ano com meu primeiro namorado.

Pensando bem, em 2009, brindei a ocasião comigo mesma, no período entre o fim de um namoro que era suposto virar casamento e o início de um namoro que de fato virou casamento. Como foi? Não faço a menor ideia.

E agora, em 2026, não tinha para quem escrever um poeminha terminando com “eu te amo”.

Me divorciei em outubro de 2023. Como o Valentine’s Day brasileiro já tinha passado, tive a companhia do meu então marido no dia 12. Em 2024, estava namorando um senhor que me deu bombons com as seguintes letras: e, u, t, e, a, m, o (no final da noite só tinha sobrado o “o”).  Em 2025, comemorei com um rapaz que fez um jantar romântico na casa dele, com opções de sobremesa! Este ano, foi diferente.

Na verdade, eu nunca gostei de ficar sozinha. Talvez por isso passei a vida em relacionamentos ou, pelo menos, tocando violão e cantando canções de amor pensando em alguém. Recentemente, fiquei solteira. No começo fiquei meio perdida, mas, depois de algum tempo, descobri o prazer de estar comigo mesma. A independência tem algumas vantagens: se der vontade de visitar uma amiga em outra cidade agora, compro uma passagem e vou. Se eu quiser jantar um milk-shake enquanto escrevo meu próximo livro, ninguém vai saber.

Uma coisa que me irrita: pessoas com pena de mim por eu estar solteira no Dia dos Namorados. Meus queridos, além de eu estar ótima, antes só do que acompanhada de gente chata (será uma indireta?).

Tem quem venha nos “consolar”, dizendo que é uma data comercial. Veja bem, eu adoro datas comerciais. Não me importo nada em ganhar presentes. Você até me deu uma ideia: vou ao shopping comprar um brinco pra mim. Esse, sim, estou namorando faz tempo.

A data estava quase passando batida, até que decidi escrever um poeminha:

Neste Dia dos Namorados
não vai ter jantar à luz de velas,
nem abraços apaixonados
ou fondue na panela.

Posso não ganhar uma flor,
mas por que isso causa dor?
Se tem coisa que aqui não falta
é o tal do amor.

Amo minha casa
Amo um bom papo
Amo pão na chapa
Amo tirar retrato

Amo ser mãe
Amo dançar
Amo meu cabelo
Amo rimar

Amo tudo o que vem pela frente,
neste e no próximo ano.
E, principalmente:
Vida, eu te amo.