Caso Gritzbach: Defesa de PMs acusados diz que executores estão na ‘banda podre’ da Civil
Os policiais militares Denis Antonio Martins, Ruan Silva Rodrigues e Fernando Genauro da Silva, apontados pelo Ministério Público como executores do assassinato do empresário e delator do PCC Antônio Vinícius Gritzbach, terão suas versões apresentadas durante o julgamento que se inicia com o depoimento de 21 testemunhas, sendo nove de acusação.
De acordo com o advogado Renan Canto, um dos responsáveis pela defesa dos acusados, a análise detalhada do processo durante os últimos 30 dias reforçou a convicção de que os policiais militares foram incluídos de forma indevida na investigação.
Segundo o defensor, os três réus foram “arrastados para uma acusação dirigida, dissimulada e manipulada”, que os levou ao banco dos réus apesar de, segundo ele, serem inocentes.
“Ao estudar profundamente o processo, ficou claro que houve uma construção direcionada da acusação. A defesa demonstrará durante o julgamento, por meio de provas e elementos técnicos, que os policiais militares não participaram da execução do crime”, afirmou.
Renan Canto sustenta que as investigações conduzidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) seguiram uma linha semelhante à apontada por ele no caso Marielle Franco, atribuindo a responsabilidade aos policiais militares enquanto os verdadeiros responsáveis permaneceriam protegidos.
A defesa também contesta a tese de que o criminoso conhecido como “Cigarreira” seria o mandante do assassinato. Segundo o advogado, o delegado Fábio Baena e o investigador Eduardo Lopes Monteiro teriam forjado elementos da investigação.
Procurada pela Jovem Pan, a defesa de Baena e de Monteiro o advogado será responsabilizado pela afirmação porque “inexiste qualquer indício ou suspeita”.
De acordo com a versão apresentada pela defesa, Vinícius Gritzbach já havia delatado supostas irregularidades envolvendo integrantes da Polícia Civil durante depoimento prestado ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em 31 de outubro.
O advogado afirma ainda que, cerca de 45 minutos após o crime, teriam ocorrido contatos telefônicos entre Baena e Monteiro. Segundo ele, registros de contatos teriam sido apagados, pessoas bloqueadas em aplicativos de comunicação e imagens das câmeras de segurança da residência de Monteiro removidas. A defesa sustenta que esses fatos serão apresentados e discutidos durante o julgamento.
Outro ponto questionado pelos advogados diz respeito aos exames periciais. Segundo a defesa, o material genético dos policiais militares somente passou a ser associado ao crime após uma segunda análise pericial, circunstância que será objeto de contestação perante o tribunal.
Fábio Baena e Eduardo Lopes Monteiro são apontados como figuras centrais da Operação Tacitus, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Federal. Ambos foram citados em denúncias feitas por Vinícius Gritzbach, que os acusava de envolvimento em crimes como extorsão, lavagem de dinheiro, peculato e corrupção passiva.
A defesa dos três policiais militares afirma que pretende demonstrar, durante a instrução processual, que houve manipulação das investigações e que os verdadeiros responsáveis pelo assassinato estariam ligados à chamada “banda podre” da Polícia Civil.
O delegado e investigadores citados nas acusações da defesa já negaram irregularidades, e os fatos seguem sob análise da Justiça. A coluna ainda não conseguiu novo contato com as defesas de Baena e Monteiro citados pelo advogado dos militares para dar suas versões, por isso, o espaço segue aberto para manifestação e atualização.