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Macroeconomia

Alô, Trump, qual é o problema de ter déficit comercial?

A medida embute uma visão mercantilista de capitalismo – aquela que diz que 'exportar é o que importa'; na verdade, não há nenhum problema em um país ser mais importador que exportador, como é o caso dos EUA

Felipe Cerqueira

Trump
Trump EFE/EPA/KENT NISHIMURA / POOL

O presidente Donald Trump resolveu taxar o planeta terra inteiro. As tarifas protecionistas variaram de 10% a 49%. O Brasil ficou no piso mínimo, enquanto alguns países asiáticos, no teto. Trump está obcecado com a ideia de equilibrar a balança comercial (exportação menos importação) com diversos países, ou seja, quer os EUA superavitário, ou pelo menos no zero a zero.

A medida embute uma visão mercantilista de capitalismo – aquela que diz que “exportar é o que importa”. Na verdade, não há nenhum problema em um país ser mais importador que exportador, como é o caso dos EUA atualmente. A importação, sem taxas protecionistas, possibilita comprar produtos de outros países, como máquinas, equipamentos, tecnologia, medicamentos etc.

É um erro acreditar que a importação prejudica um país. Na verdade, a importação é necessária para várias empresas se desenvolverem, como a Embraer que adquire máquinas e componentes de outros países, e exporta o avião. Além disso, a importação beneficia o próprio consumidor finais com bens de melhor qualidade e mais baratos.

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Na década de 80, nas devidas proporções, o Brasil comprou a mesma ideia de Trump de aumentar o protecionismo. A medida não trouxe desenvolvimento para a indústria nacional e não atraiu o capital. Na contramão, os EUA, que durante décadas reduziram os impostos de importação, foram beneficiados por produtos do mundo inteiro. Muitos economistas e investidores sabem que mais protecionismo não é a solução para a atrair indústrias para o seu país, e o efeito pode ser desastroso. Não à toa, as bolsas americanas sofreram um banho de sangue no dia de hoje.      

 

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