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No Vaticano, Papa Leão XIV cita Nossa Senhora Aparecida e pede proteção aos brasileiros

Igreja não se manifestou sobre a disputa eleitoral envolvendo a padroeira

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Leão XIV não fez qualquer referência à controvérsia política envolvendo Nossa Senhora Aparecida nas eleições brasileiras STEFANO RELLANDINI / AFP

O papa Leão XIV mencionou Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, durante a Audiência Geral desta quarta-feira (7), na Praça de São Pedro, no Vaticano, e pediu sua proteção aos brasileiros. A referência foi feita durante a saudação aos peregrinos de língua portuguesa, a cinco dias da celebração de 12 de outubro.

“Uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em especial aos grupos vindos do Brasil e de Portugal. Queridos irmãos e irmãs, na próxima segunda-feira, 12 de outubro, celebra-se Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Confio todos vós e as vossas famílias à sua intercessão maternal. Que Nossa Senhora vos proteja sempre! Deus vos abençoe!”, afirmou o pontífice.

Leão XIV não fez qualquer referência à controvérsia política envolvendo Nossa Senhora Aparecida nas eleições brasileiras. A íntegra oficial da audiência divulgada pelo Vaticano limita-se à menção ao dia da padroeira e à saudação aos brasileiros.

Padroeira e eleições

Nossa Senhora Aparecida entrou no debate eleitoral brasileiro na reta final do primeiro turno após a circulação de publicações que associavam Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. Não havia proposta em tramitação com esse objetivo. O projeto citado nas publicações era de 2007 e havia sido arquivado.

O assunto chegou à Justiça Eleitoral. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou inicialmente a remoção de publicações que vinculavam Flávio ou sua família à suposta proposta. O caso também foi levado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde decisões de ministros interferiram no alcance das ordens do TSE.

Em 30 de setembro, o plenário do TSE manteve a retirada de publicações que reproduzissem a afirmação de que Flávio Bolsonaro ou integrantes de sua família pretendiam, apoiavam ou articulavam a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Durante o julgamento, porém, Mendonça ajustou seu voto e o tribunal delimitou o alcance da medida, preservando críticas, manifestações políticas e religiosas que não reproduzissem essa afirmação.

A controvérsia também provocou um embate entre Flávio e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O candidato acusou o PT de criar a informação falsa “com ajuda de gente de dentro” da entidade, sem apresentar provas da participação de integrantes da conferência. A CNBB negou ter produzido, autorizado ou participado da divulgação do conteúdo.

O Vaticano não se manifestou sobre a disputa eleitoral envolvendo a padroeira. Na audiência desta quarta-feira, Leão XIV tratou Nossa Senhora Aparecida apenas no contexto da celebração religiosa de 12 de outubro.

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