De João Paulo II a Francisco: relembre os problemas de saúde dos últimos papas
O anúncio de que o papa Leão XIV será submetido a uma cirurgia para retirar um nódulo no pulmão, feito neste domingo (11), volta a colocar a saúde do líder da Igreja Católica em evidência. Aos 71 anos, o pontífice afirmou que a alteração foi detectada em estágio inicial e que decidiu seguir a recomendação dos médicos. O procedimento está previsto para os próximos dias.
Os problemas de saúde também marcaram os pontificados de seus três antecessores. Francisco enfrentou sucessivas internações e uma grave pneumonia nos últimos meses de vida; Bento XVI renunciou ao cargo alegando falta de forças físicas e mentais; e João Paulo II conviveu durante anos com a doença de Parkinson, além de passar por diversas cirurgias.
Papa Francisco: cirurgias, dificuldades de locomoção e pneumonia bilateral
O papa Francisco, que comandou a Igreja Católica entre 2013 e 2025, enfrentou diferentes problemas de saúde durante seu pontificado. Em julho de 2021, o argentino foi submetido a uma cirurgia no cólon e permaneceu internado por cerca de dez dias no Hospital Gemelli, em Roma.
Em 2022, passou a utilizar cadeira de rodas e bengala por causa de dores no joelho direito, associadas a um quadro de artrose. As dificuldades de locomoção levaram à adaptação de sua rotina e ao cancelamento de alguns compromissos.
Em março de 2023, Francisco voltou a ser hospitalizado para tratar uma infecção respiratória. Três meses depois, passou por outra cirurgia abdominal, desta vez para corrigir uma hérnia que provocava dores e episódios de obstrução intestinal. O procedimento exigiu anestesia geral e uma nova internação.
O quadro mais grave ocorreu em fevereiro de 2025, quando o pontífice, então com 88 anos, foi internado com bronquite, posteriormente agravada por uma pneumonia bilateral. Francisco permaneceu 38 dias hospitalizado e enfrentou crises respiratórias que chegaram a colocar sua vida em risco. Recebeu alta em 23 de março, mas continuou sob tratamento e reabilitação no Vaticano.
Francisco morreu em 21 de abril de 2025, aos 88 anos. Segundo o atestado de óbito divulgado pelo Vaticano, a morte foi provocada por um acidente vascular cerebral (AVC), seguido de coma e colapso cardiocirculatório irreversível. O documento também registrou antecedentes de insuficiência respiratória, pneumonia bilateral, hipertensão arterial e diabetes tipo 2.
Bento XVI: problemas cardíacos e renúncia por falta de forças
Bento XVI, que ocupou o pontificado entre 2005 e 2013, teve uma trajetória diferente da de seu antecessor e de seu sucessor. Embora não tenha enfrentado uma sequência de internações públicas durante seu papado, o alemão Joseph Ratzinger apresentou limitações físicas associadas ao envelhecimento.
O pontífice utilizava um marca-passo havia vários anos e passou por um procedimento para substituir as baterias do aparelho em 2012. Na época, o Vaticano afirmou que os problemas cardíacos não haviam influenciado sua decisão de deixar o cargo.
Em fevereiro de 2013, aos 85 anos, Bento XVI anunciou sua renúncia, afirmando que suas forças físicas e mentais haviam diminuído a ponto de não conseguir exercer adequadamente suas funções. Ele se tornou o primeiro papa em quase 600 anos a deixar voluntariamente o comando da Igreja Católica.
Após a renúncia, passou a viver no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano, onde recebeu acompanhamento médico e assistência permanente. Nos últimos anos, apresentou um quadro de fragilidade progressiva associado à idade avançada.
Em dezembro de 2022, o papa Francisco pediu orações pelo antecessor, afirmando que ele estava “muito doente”. Bento XVI morreu em 31 de dezembro daquele ano, aos 95 anos.
João Paulo II: Parkinson, atentado e sucessivas cirurgias
João Paulo II, que liderou a Igreja Católica entre 1978 e 2005, teve um dos históricos médicos mais extensos entre os pontífices contemporâneos. O polonês Karol Wojtyla enfrentou problemas de saúde desde os primeiros anos de seu papado, inicialmente em consequência do atentado sofrido em 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro.
Na ocasião, foi atingido por disparos de arma de fogo e precisou passar por uma cirurgia de emergência. Ainda naquele ano, voltou a ser internado para tratar complicações de saúde, incluindo uma infecção por citomegalovírus.
Na década de 1990, João Paulo II foi submetido a novos procedimentos. Em 1992, passou por uma cirurgia para retirar um tumor benigno do intestino. No ano seguinte, sofreu uma queda que provocou uma lesão no ombro. Em 1994, fraturou o fêmur direito em outro acidente e precisou de uma operação no quadril.
O pontífice também desenvolveu a doença de Parkinson, que provocava tremores, rigidez muscular e dificuldades de movimentação e de fala. Os sintomas tornaram-se progressivamente mais visíveis durante as cerimônias públicas e as viagens internacionais.
Em fevereiro de 2005, João Paulo II foi hospitalizado devido a complicações respiratórias provocadas por uma gripe. Após uma nova internação, precisou ser submetido a uma traqueostomia para facilitar a respiração. O procedimento comprometeu sua capacidade de falar nos últimos meses de vida.
João Paulo II morreu em 2 de abril de 2005, aos 84 anos, após 26 anos de pontificado. O atestado de óbito do Vaticano apontou choque séptico e colapso cardiocirculatório irreversível como causas da morte, além de registrar o histórico de Parkinson e insuficiência respiratória.
Cirurgia de Leão XIV será realizada nos próximos dias
O atual pontífice informou que o nódulo pulmonar foi identificado durante exames médicos recentes e que está bem localizado. O Vaticano não divulgou um diagnóstico sobre a natureza da lesão.
Segundo o porta-voz do Vaticano, a cirurgia está prevista para os primeiros dias da próxima semana, e a recuperação deverá durar aproximadamente sete dias. Leão XIV tem uma viagem à América Latina programada para novembro, com visitas ao Uruguai, à Argentina e ao Peru. Até o momento, o Vaticano não anunciou alterações na agenda.
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