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Saúde

Libido em queda? 6 exames que ajudam a descobrir a causa antes de pensar em testosterona

Perda do desejo sexual pode estar relacionada a alterações hormonais, doenças metabólicas, problemas vasculares ou até transtornos emocionais. O urologista Dr. Douglas Schreck explica quais exames realmente fazem sentido na investigação e por que a reposição de testosterona nem sempre é a resposta

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É comum que homens procurem o consultório relatando apenas uma queixa: "Minha libido diminuiu" Becca Tapert/Unsplash

É comum que homens procurem o consultório relatando apenas uma queixa: “Minha libido diminuiu”. Embora pareça um problema simples, essa perda do desejo sexual pode ter origens muito diferentes e exige uma investigação cuidadosa antes de qualquer tratamento.

Libido e ereção não são a mesma coisa

O primeiro passo é diferenciar duas condições que frequentemente são confundidas.

Há homens que mantêm o desejo sexual, mas apresentam dificuldade para obter ou manter a ereção. Outros conseguem ter ereções normalmente, porém perderam o interesse por sexo. Também existem pacientes que convivem simultaneamente com queda da libido e disfunção erétil.

Essa distinção é fundamental porque desejo sexual e função erétil dependem de mecanismos diferentes e, muitas vezes, têm causas distintas.

Outro equívoco frequente é atribuir toda redução da libido à testosterona baixa. Embora esse hormônio seja importante, ele representa apenas uma parte da investigação.

Quais exames podem esclarecer a causa

Não existe um painel único indicado para todos os pacientes. A escolha depende da história clínica, da idade, dos sintomas e do exame físico. Entre os exames mais utilizados estão:

1. Testosterona livre e SHBG

A testosterona livre corresponde à fração biologicamente ativa do hormônio. Sua interpretação em conjunto com a SHBG, proteína responsável pelo transporte da testosterona no sangue, oferece uma avaliação mais precisa do status hormonal.

2. Estradiol

Apesar de ser conhecido como hormônio feminino, o estradiol também exerce funções importantes no organismo masculino. Alterações em seus níveis podem comprometer o equilíbrio hormonal e interferir no desejo sexual.

3. Prolactina

Níveis elevados de prolactina podem reduzir a libido, causar disfunção erétil e, em alguns casos, indicar alterações na hipófise que exigem investigação específica.

4. LH e FSH

Esses hormônios ajudam a identificar se uma eventual deficiência de testosterona tem origem nos testículos ou na hipófise, informação que muda completamente a abordagem terapêutica.

5. Ultrassom testicular

Quando existe suspeita de alterações estruturais, o exame permite identificar condições como varicocele, tumores, inflamações e outras doenças que podem comprometer a função dos testículos.

6. Doppler peniano

Indicado principalmente para homens cuja principal queixa é a dificuldade de ereção, especialmente pacientes jovens ou com suspeita de alterações vasculares. O exame avalia a circulação sanguínea do pênis e pode identificar problemas arteriais ou de retorno venoso.

Cada um desses exames responde a perguntas diferentes. Por isso, nenhum deve ser solicitado de forma indiscriminada.

Nem sempre o problema está nos hormônios

A queda da libido pode estar associada a diversas condições clínicas, entre elas:

  • obesidade; 
  • diabetes; 
  • doenças da tireoide; 
  • alterações da prolactina; 
  • doenças da hipófise; 
  • distúrbios do sono; 
  • depressão e ansiedade; 
  • doenças cardiovasculares; 
  • uso de alguns medicamentos; 
  • deficiência de testosterona. 

Em muitos casos, a redução do desejo sexual resulta da combinação de vários desses fatores.

Diagnóstico antes do tratamento

Nos últimos anos, aumentou o número de homens que procuram testosterona por conta própria ou recorrem à chamada modulação hormonal sem um diagnóstico adequado.

A reposição de testosterona pode trazer benefícios importantes para pacientes com deficiência hormonal comprovada e sintomas compatíveis. No entanto, seu uso indiscriminado pode reduzir a produção natural do hormônio, comprometer a fertilidade, aumentar o número de glóbulos vermelhos e dificultar o diagnóstico de outras doenças.

Além disso, quando a causa da queda da libido é psicológica, vascular, metabólica ou relacionada a outra alteração hormonal, a testosterona isoladamente não resolve o problema.

A saúde sexual masculina depende da interação entre hormônios, circulação sanguínea, sistema nervoso, saúde mental e hábitos de vida. Por isso, não existe um exame único nem um tratamento universal. O diagnóstico individualizado continua sendo a forma mais segura de identificar a origem da queixa e definir a melhor estratégia para cada paciente.

Douglas Schreck – CRM 37371

Médico com especialização em Radiologia e Diagnóstico por Imagem do SIR-Mãe de Deus

Coordenador do CDI-ultrassom do grupo Vila Nova (HRES)

Membro Brazil Health