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Eliseu Caetano

Abelardo de la Espriella toma posse hoje como novo presidente da Colômbia

Ele sucede Gustavo Petro e assume o poder em uma cerimônia marcada por forte simbolismo político, grande esquema de segurança e presença de autoridades estrangeiras

Eliseu Caetano

Abelardo de la Espriella
Abelardo de la Espriella JOAQUIN SARMIENTO / AFP

Abelardo de la Espriella toma posse hoje como novo presidente da Colômbia. O evento acontece em Cali, na Arena USC Carlos Andrés Pérez Galindo, da Universidad Santiago de Cali. A sessão do Congresso está prevista para começar ao meio-dia, no horário colombiano, e o ato principal da posse está marcado para as 3 da tarde. No horário da Costa Leste dos Estados Unidos, a cerimônia principal será às 4 da tarde.

O local tem capacidade para cerca de 2.200 a 2.300 pessoas. Não há, até o momento, um número oficial amplamente divulgado sobre o total exato de convidados, mas o espaço foi preparado para receber congressistas, autoridades nacionais, delegações diplomáticas e convidados especiais.

Entre as autoridades internacionais que já chegaram ou tiveram presença confirmada estão o presidente da Argentina, Javier Milei; o presidente do Chile, José Antonio Kast; o presidente do Paraguai, Santiago Peña; o presidente de Honduras, Nasry Asfura; além de representantes de vários outros países.

Os Estados Unidos serão representados por uma delegação liderada por Todd Blanche. Donald Trump não participa pessoalmente da cerimônia.

Também estão entre os convidados ou autoridades anunciadas o rei Felipe VI, da Espanha, o presidente do Equador, Daniel Noboa, o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, o presidente da República Dominicana, Luis Abinader, além de outras delegações da América Latina, Europa e Ásia.

A cerimônia acontece sob um grande esquema de segurança. Mais de 11 mil policiais e militares foram mobilizados para a operação em Cali, com controle de trânsito, vigilância reforçada e proteção especial do espaço aéreo.

Gustavo Petro não participa da posse. Setores do Pacto Histórico também anunciaram boicote à cerimônia. A ausência reforça o clima de forte polarização política deixado pela eleição presidencial.

Abelardo de la Espriella é advogado, empresário e uma figura considerada outsider na política colombiana. Ele construiu sua candidatura com um discurso fortemente conservador, centrado em segurança pública, combate ao narcotráfico, fortalecimento das Forças Armadas, redução do tamanho do Estado e incentivo ao setor privado.

Na primeira rodada da eleição presidencial, De la Espriella terminou na frente com cerca de 43,7% dos votos, contra aproximadamente 40,9% de Iván Cepeda, candidato da esquerda e aliado de Gustavo Petro.

No segundo turno, realizado em 21 de junho, De la Espriella venceu por uma margem muito pequena. O resultado oficial registrou 12.960.166 votos para De la Espriella e 12.708.312 para Cepeda, uma diferença de pouco mais de 250 mil votos.

A vitória representa uma mudança importante de rumo na Colômbia. Gustavo Petro havia sido o primeiro presidente de esquerda da história recente do país. Agora, De la Espriella chega ao poder propondo uma agenda praticamente oposta.

Na área de segurança, o novo presidente promete endurecer o combate a grupos armados e ao narcotráfico, rever a política de Paz Total implementada por Petro e ampliar operações militares.

Na economia, defende redução de impostos, menos burocracia, maior incentivo ao investimento privado e retomada de projetos de petróleo, gás e mineração.

Nas relações exteriores, a expectativa é de uma aproximação muito maior com os Estados Unidos, especialmente nas áreas de segurança, combate às drogas e comércio.

A chegada de De la Espriella ao poder também é vista como parte de uma mudança política mais ampla na América Latina, com o fortalecimento de governos e lideranças de direita em vários países da região.

A imagem da posse ajuda a resumir essa mudança: líderes como Javier Milei e José Antonio Kast participam da cerimônia, enquanto Gustavo Petro e aliados da esquerda decidiram não comparecer.

A Colômbia encerra, portanto, quatro anos do primeiro governo de esquerda de sua história recente e inicia um novo ciclo político, comandado por um presidente conservador eleito por uma margem apertada e que promete mudanças profundas nas áreas de segurança, economia e relações com os Estados Unidos.

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