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David de Tarso

PF faz nova operação na casa de advogado apontado como operador financeiro de grupo investigado

Mansão de Nelson Wilians, em São Paulo, está entre os alvos da Operação Arena, que apura suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro

David de Tarso

PF faz nova operação na casa de advogado apontado como operador financeiro de grupo investigado
PF faz nova operação na casa de advogado apontado como operador financeiro de grupo investigado Divulgação / Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) realiza nesta quinta-feira (13) uma nova operação na casa do advogado Nelson Wilians, em São Paulo. O imóvel está entre os alvos da Operação Arena, deflagrada em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal para investigar um grupo empresarial suspeito de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Wilians já havia sido alvo, no mês passado, de uma operação do Fisco paulista que investigou uma suposta fraude envolvendo o recolhimento de ICMS nos estados de São Paulo e Paraná. Segundo a PF, o advogado é apontado como o principal operador financeiro do grupo criminoso investigado.

Ao todo, a Operação Arena cumpre 17 mandados de busca e apreensão em 14 endereços nos estados da Paraíba, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A Justiça também autorizou a apreensão de bens e valores de até aproximadamente R$ 1 bilhão, montante relacionado às estimativas dos valores que podem estar envolvidos nos crimes investigados.

A Receita Federal participa da operação com 40 Auditores-Fiscais e Analistas-Tributários. O trabalho é voltado à identificação e coleta de provas que possam confirmar infrações tributárias, penais e administrativas cometidas pelas pessoas físicas e jurídicas investigadas.

Investigação mira empresas no Brasil e no exterior

Segundo as investigações, o grupo teria criado uma complexa estrutura societária e financeira, com empresas no Brasil e no exterior, para dar aparência de legalidade a operações relacionadas à exploração de apostas de quota fixa e jogos de azar.

Os investigadores identificaram indícios de que empresas constituídas fora do país teriam sido utilizadas para justificar grandes remessas internacionais de dinheiro. No entanto, os elementos reunidos até o momento apontariam que essas empresas não teriam atividades econômicas compatíveis com os valores movimentados.

A suspeita é de que o grupo utilizava empresas nacionais e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio, ativos digitais e outras estruturas financeiras para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos.

A investigação também encontrou possíveis indícios de omissão de rendimentos e do uso de estruturas empresariais com o objetivo de reduzir ou evitar, de maneira irregular, a tributação sobre as atividades desenvolvidas.

Embora o mercado de apostas de quota fixa tenha passado recentemente por um processo de regulamentação no Brasil, os investigadores afirmam que empresas ligadas ao setor já atuavam anteriormente e podem ter utilizado mecanismos para ocultar operações, receitas e os beneficiários finais dos negócios.

Receita Federal entrou na investigação em 2025

A Receita Federal passou a integrar as investigações em 2025, contribuindo com análises sobre possíveis fraudes estruturadas, planejamento tributário abusivo, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

De acordo com o órgão, os dados produzidos pelos auditores, posteriormente corroborados por outras diligências, ajudaram a aprofundar as investigações e contribuíram para a adoção das medidas judiciais cumpridas nesta quinta-feira.

Todo o material apreendido durante a operação será analisado. As informações poderão subsidiar futuras ações fiscais, inclusive para a constituição de créditos tributários eventualmente devidos e o compartilhamento de dados com outros órgãos responsáveis pelas investigações.

Onde os mandados são cumpridos

  • Paraíba: João Pessoa, Campina Grande e Serra Branca;
  • Sergipe: Aracaju;
  • São Paulo: capital paulista;
  • Rio de Janeiro: capital e Niterói;
  • Paraná: Curitiba.

A Operação Arena busca esclarecer a estrutura financeira utilizada pelo grupo e identificar a origem e o destino dos recursos movimentados. As investigações continuam para determinar a participação individual dos envolvidos e dimensionar os possíveis prejuízos aos cofres públicos.

Outro lado

Procurada pela coluna, a defesa do advogado Nelson Williams se manifestou por meio de nota afirmando que a relação entre o escritório e a PixBet é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia.

“A atuação do escritório em favor de seus clientes limita-se ao exercício regular da advocacia, não se confundindo com as atividades empresariais por eles desenvolvidas. O escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes. É preciso ter cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa”Nota da defesa