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David de Tarso

Lincoln Gakiya recusa convite de Caiado para integrar eventual Ministério da Segurança

Integrante do Gaeco afirma que pretende permanecer na carreira até cumprir requisitos para aposentadoria e diz que não aceitará convite de nenhum candidato antes desse período

David de Tarso

Promotor do Ministério Público de São Paulo Lincoln Gakiya critica o que avaliou ser um 'engessamento' previsto no projeto de lei antifacção aprovado na Câmara
Promotor do Ministério Público de São Paulo Lincoln Gakiya Edilson Rodrigues/Agência Senado

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, recusou o convite do pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, para integrar um eventual Ministério ligado à Segurança Pública.

Segundo Gakiya, Caiado telefonou para ele e se desculpou por ter anunciado publicamente a intenção de convidá-lo antes mesmo de formalizar a proposta. Apesar do contato, o promotor afirmou que não pretende deixar o Ministério Público para assumir um cargo em eventual governo neste momento.

Gakiya explicou que uma eventual mudança de carreira agora significaria abrir mão de 35 anos de trabalho no Ministério Público. Ele também afirmou que somente em dezembro de 2026 completará os requisitos legais relacionados à idade e ao tempo de serviço para avaliar uma possível aposentadoria.

“Já recebi vários convites anteriormente em época eleitoral, inclusive em gestões passadas, o do Caiado não foi o primeiro e eu, como promotor de Justiça da ativa, não posso ter envolvimento com qualquer atividade político-partidária. Se no final do ano ou no ano que vem eu resolver me aposentar, eu converso sobre esse assunto, antes não.”

O promotor afirmou ainda que não pretende aceitar convites de nenhum outro candidato até que decida sobre sua aposentadoria. A previsão é que essa avaliação ocorra somente em 2027.

Caiado havia anunciado, ao longo desta semana, durante a apresentação de um plano com oito propostas para o combate ao crime organizado, que pretendia convidar Gakiya para integrar seu eventual Ministério. O candidato destacou a experiência do promotor no enfrentamento às organizações criminosas e nas investigações envolvendo facções, área em que atua há mais de duas décadas.

Apesar da proximidade temática, Caiado e Gakiya têm posições divergentes sobre uma das principais propostas apresentadas pelo pré-candidato: a classificação de organizações criminosas como grupos terroristas.

Gakiya é contrário à medida e já havia afirmado que a mudança poderia prejudicar mecanismos de cooperação internacional utilizados atualmente no combate ao crime organizado. Entre os exemplos citados pelo promotor estão as parcerias entre a Polícia Federal brasileira e o FBI, nos Estados Unidos. Na avaliação dele, a alteração da classificação poderia interferir nos canais de cooperação existentes entre as instituições.

Além do convite feito por Caiado, Gakiya afirmou que já recebeu outras propostas em períodos eleitorais e que recusou todas. O promotor também negou informações de que estaria atuando como consultor do PT na campanha do governador de São Paulo, Fernando Haddad.

Ao justificar a decisão de permanecer no Ministério Público, Gakiya reforçou que, enquanto estiver na ativa, não pode participar de atividades político-partidárias. A possibilidade de assumir uma função política, segundo ele, só será analisada depois de uma eventual aposentadoria.

A recusa encerra, pelo menos por enquanto, a tentativa de Caiado de levar para um eventual governo um dos promotores mais conhecidos pela atuação contra organizações criminosas em São Paulo.