JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Jornal da Manhã – 2ª Edição | 07h00 - 10h00
Eliseu Caetano

Prazo termina sem acordo e EUA e Irã voltam a ameaçar nova escalada

Memorando de 60 dias não resultou em avanço nas negociações entre os dois países; disputa sobre o Estreito de Ormuz aumenta a tensão diplomática

Eliseu Caetano

Ponte severamente danificada, atingida por um ataque dos EUA, é vista na estrada que liga Roudan a Bandar Abbas, no sul do Irã
Ponte severamente danificada, atingida por um ataque dos EUA, é vista na estrada que liga Roudan a Bandar Abbas, no sul do Irã AMIR HOSSEIN KHORGOOEI / ISNA / AFP

Termina nesta segunda-feira (17) o prazo estabelecido pelo memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã para que os dois países chegassem a um acordo definitivo. Dois meses depois da assinatura do documento, porém, as negociações praticamente não avançaram e a tensão voltou a crescer no Oriente Médio.

O memorando foi fechado em junho como uma tentativa de interromper a guerra e abrir caminho para uma solução diplomática. O documento previa 60 dias de negociações, com possibilidade de extensão caso houvesse concordância entre Washington e Teerã.

O objetivo era ambicioso: transformar uma trégua emergencial em um acordo permanente e resolver alguns dos pontos mais difíceis da relação entre os dois países.

Entre eles estavam o programa nuclear iraniano, o enriquecimento de urânio, as sanções econômicas americanas, a presença militar dos Estados Unidos na região e, principalmente, a situação no Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais estratégicas do planeta.

Pelo acordo inicial, o Irã reafirmava que não desenvolveria armas nucleares e aceitava discutir o destino de seu estoque de urânio enriquecido. O documento também previa negociações sobre os níveis futuros de enriquecimento e mecanismos de fiscalização.

Em contrapartida, um acordo definitivo poderia levar ao levantamento de sanções contra o Irã e incluía incentivos econômicos significativos para a reconstrução do país.

Outro ponto central era o Estreito de Ormuz.

O Irã deveria garantir a passagem segura de navios comerciais pelo estreito durante o período de 60 dias. Os Estados Unidos, por sua vez, assumiram compromissos relacionados à retirada do bloqueio naval.

Mas boa parte desse entendimento começou a desmoronar poucas semanas depois.

Washington acusa Teerã de não cumprir o compromisso de reabrir plenamente o Estreito de Ormuz. O Irã responde acusando os Estados Unidos de não cumprirem suas próprias obrigações, principalmente em relação ao bloqueio de portos e à liberação de ativos iranianos.

E a consequência está sendo sentida diretamente no comércio internacional.

O movimento de embarcações pelo Estreito de Ormuz continua muito abaixo dos níveis registrados antes da guerra. A região é fundamental porque por ali passa uma parcela significativa do petróleo e do gás comercializados internacionalmente. Qualquer interrupção prolongada tem potencial para pressionar preços de energia em todo o mundo.

Nos últimos dias, a situação voltou a piorar.

Embarcações foram atacadas na região e os Estados Unidos ameaçaram ampliar a pressão econômica sobre Teerã, enquanto o Irã continua utilizando o controle sobre o estreito como uma das principais ferramentas de pressão nas negociações.

O presidente Donald Trump mantém uma posição pública de pressão máxima sobre o governo iraniano e já afirmou que os Estados Unidos possuem capacidade militar para controlar a região. Teerã rejeita essa versão e sustenta que mantém o controle sobre o Estreito de Ormuz.

Nos bastidores, diferentes países continuam tentando evitar uma nova escalada.

Paquistão e Catar participam dos esforços de mediação, e Washington ampliou recentemente os contatos diplomáticos envolvendo também países europeus. Mas, até este fim de semana, esses esforços não produziram um avanço capaz de destravar as negociações.

Uma fonte iraniana afirmou nesta semana que os esforços para recuperar o entendimento fizeram “absolutamente nenhum progresso”.

Existe ainda uma divergência importante sobre o próprio prazo. O Irã diz que não houve negociação para prorrogar automaticamente os 60 dias previstos no memorando. Isso transforma esta segunda-feira em uma data decisiva.

Sem um novo entendimento, Estados Unidos e Irã entram novamente em território diplomático incerto. E o problema é que o memorando não tratava apenas da questão nuclear: ele funcionava como uma estrutura para impedir que o conflito militar voltasse a crescer.

A preocupação agora é saber o que acontece depois do prazo.

Washington pode aumentar sanções e pressão militar. Teerã pode endurecer ainda mais sua posição em Ormuz. E qualquer novo ataque contra embarcações, instalações iranianas ou posições americanas pode provocar uma resposta militar e desencadear uma nova rodada de confrontos.

Por isso, o vencimento do memorando nesta segunda-feira representa muito mais do que o fim de um prazo diplomático.

Sessenta dias atrás, Estados Unidos e Irã assinaram um documento para tentar encerrar a guerra. Agora, o prazo termina sem acordo definitivo, com o Estreito de Ormuz ainda no centro da disputa e com o risco de uma nova escalada militar voltando a rondar o Oriente Médio.