Milei quer sair do Mercosul; é compreensível
O presidente da Argentina, Javier Milei, disse no último sábado (2) que gostaria de sair do Mercosul. Segundo ele, o bloco só beneficia o Brasil e impede a Argentina fazer negociações bilaterais livremente, sem o aval dos demais membros do bloco. De fato, hoje, a Argentina não conseguiria um acordo de livre comércio com os Estados Unidos, por conta da Tarifa Externa Comum (TEC). Para ocorrer a efetivação de um acordo entre os dois países, todos os demais membros do Mercosul deveriam adotar a mesma tarifa externa praticada pela Argentina com os EUA. Na prática, significa que a negociação só é possível entre o Mercosul e os americanos.
Essa limitação não ocorre apenas com os EUA, mas impede qualquer país do Mercosul isoladamente assinar acordos de livre comércio com outras nações ou blocos. Evidentemente, negociações bilaterais são muito mais fáceis de se concretizar em comparação àquelas efetivadas entre blocos, cujo alinhamento se torna muito mais complexo, diante dos divergentes interesses econômicos entre as nações.
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No caso do Mercosul, a dificuldade não é apenas a convergência do interesse econômico entre os países, mas é neutralizar também as interferências ideológicas. Não raro, ocorrem discussões ideológicas e geopolíticas num bloco no qual deveria imperar somente o pragmatismo comercial. Por tudo isso, a vontade de Milei de abandonar o Mercosul é mais do que compreensível.
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