Lula defende investigação sobre o filho: ‘Ninguém está acima da lei’
O presidente Lula (PT) defendeu a investigação da PF sobre o seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, suspeito de participar ativamente de um esquema de tráfico de influência no governo. A declaração foi dada em entrevista à Record, que será exibida na íntegra no Domingo Espetacular, na noite deste domingo (23).
“Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado”, disse. “Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está [acima da lei] se cometer erro”, acrescentou.
Documentos da Polícia Federal (PF) indicam que Lulinha tinha participação ativa num suposto esquema de tráfico de influência, mas era preservado pela lobista Roberta Luschsinger. “Fábio não faz nada. Ele só entra em campo quando precisa. Tem que se preservar”, diz mensagem da lobista Roberta em novos detalhes da apuração da PF revelados pela revista Veja na quinta-feira (20).
Segundo relatório da PF, Fábio Luís é citado em mensagens encontradas no celular de Roberta como o “beneficiário indireto” das negociações com empresários que tinham interesses em contratos do governo federal. “As comunicações indicam que Fábio é mencionado por Roberta Luchsinger como referência decisória nos projetos discutidos. Ele foi indicado como beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros em seu nome”, diz o relatório.
Vazamentos
Durante a entrevista, Lula criticou o vazamento de elementos da investigação pela imprensa. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na sexta-feira (21) que a Polícia Federal apure a suspeita de novos vazamentos de informações sigilosas de investigações que envolvem Lulinha.
No documento, o ministro ressalta que a apuração não deve atingir os jornalistas, “com ou sem diploma”, responsáveis pela publicação das reportagens. A determinação é para que a polícia identifique a origem das informações sigilosas que chegaram aos veículos de comunicação.
Donald Trump
À Record, o presidente ainda disse que tem uma boa relação com o homólogo norte-americano, Donald Trump, apesar das tensões recentes. “Eu, às vezes, tenho a impressão que o Trump é bem melhor na relação política do que a assessoria. Eu disse para ele: ‘Não é possível. Nós conversamos, tudo vai bem’. A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas, depois, o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis”, disse.
Na sexta-feira (21), Lula ligou para Trump, em meio à tensão com os EUA pela imposição de um “tarifaço”. Segundo a Secretaria de Comunicação do governo brasileiro (Secom), a conversa durou 1h20 e ocorreu em um tom amistoso e cordial. A ligação abordou temas do relacionamento bilateral e da agenda global.
Durante a conversa, Lula afirmou que os argumentos utilizados pelo governo dos EUA para impor tarifas no Brasil são infundados. De acordo com o comunicado, Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível.
Assuntos
continue lendo
Política
MP Eleitoral diz que foto de Lula com chapéu na urna não é irregular
Vice-procurador-geral Eleitoral disse ao TSE que acessório não configura propaganda nem dificulta o reconhecimento do candidato
- Manoel Dias, fundador do PDT e ex-ministro de Dilma, morre aos 88 anos Estadão Conteúdo · há 3 horas
- Dino torna nula emendas que tenham interferência de ex-congressistas ou presidentes de partidos Estadão Conteúdo · há 3 horas
- Zema desiste de participar de debate presidencial após ausência de Lula Jovem Pan · há 6 horas
- Candidatos devem concentrar críticas em Lula no 1º debate presidencial Jovem Pan · há 6 horas