JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Fora do ar
Política

Mendonça manda PF investigar novos vazamentos sobre Lulinha após matéria de revista

Ministro do STF determinou que investigação já em andamento também apure a origem de informações sigilosas divulgadas em reportagens

Jovem Pan

Lulinha
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT) Reprodução / Flickr

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (21) que a Polícia Federal (PF) apure a suspeita de novos vazamentos de informações sigilosas de investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

A decisão foi tomada após a divulgação de uma reportagem da revista Veja, na quinta-feira (20), com informações que, segundo Mendonça, apresentam identidade com elementos de uma investigação que já está em andamento desde o início do ano.

No documento, o ministro ressalta que a apuração não deve atingir os jornalistas, “com ou sem diploma”, responsáveis pela publicação das reportagens. A determinação é para que a polícia identifique a origem das informações sigilosas que chegaram aos veículos de comunicação.

O tema sobre a exigência do diploma para o jornalista voltou à tona após os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino defenderem a obrigação do certificado nesta semana, durante o julgamento de uma ação no STF sobre a responsabilização de profissionais da imprensa pela divulgação de informações.

“Chamo a atenção, finalmente, ministro Alexandre, que tudo isto se tornou ainda mais difícil, porque há uma decisão suprema, a qual respeito, obviamente, e quem sabe um dia será debatida novamente, quanto à dispensa do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Então, isto constitui um complicador na medida em que há extensão automática deste regime de garantias a qualquer blogueiro”Flávio Dino

Na decisão desta sexta-feira, Mendonça afirmou também que existe correspondência entre o conteúdo das reportagens recentes e o objeto da investigação que tramita na PF. Por isso, determinou que a apuração já em andamento seja ampliada para verificar como as informações sob sigilo foram obtidas e divulgadas.

“Portanto, resta demonstrada com clareza solar a apontada identidade entre os objetos das notícias recentemente veiculadas, acima elencadas, bem como de outras que contenham praticamente o mesmo teor, e da investigação já instaurada e em trâmite regular desde o início do ano”André Mendonça na decisão

Segundo o ministro, diante dessa correspondência, é necessário incluir na investigação a apuração sobre “a origem das informações que foram objeto de veiculação indevida”.

O que a PF investiga sobre Lulinha

Um dos inquéritos envolve uma suspeita de atuação de Lulinha em negociações com o Ministério da Saúde em benefício do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

A PF apura possíveis crimes de tráfico de influência e corrupção. Segundo os investigadores, o grupo teria buscado viabilizar negócios relacionados à venda de produtos de cannabis medicinal ao governo federal.

A investigação procura esclarecer se Lulinha teria usado contatos para facilitar o acesso do empresário a integrantes da administração pública. O contrato mencionado no caso não chegou a ser fechado.

A defesa de Lulinha nega irregularidades e diz que a PF não encontrou elementos que relacionem o filho do presidente às fraudes investigadas no caso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Investigação sobre a Dataprev

Outro inquérito apura uma possível atuação de Lulinha e da empresária e lobista Roberta Luchsinger junto à Dataprev, empresa pública responsável por sistemas de dados da Previdência Social.

O procedimento tramita sob sigilo. A PF busca esclarecer se houve tentativa de influência dentro da estatal para atender a interesses privados.

Um terceiro inquérito relacionado a Lulinha foi distribuído ao ministro Flávio Dino, também do STF. O caso envolve repasses relacionados a um ex-assessor da Presidência da República. O processo também permanece sob sigilo.

Manifestação da PGR

A tramitação dos inquéritos também é discutida no STF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que pelo menos dois dos procedimentos sejam enviados para a primeira instância da Justiça Federal.

O argumento da PGR é que não há investigados com foro por prerrogativa de função que justifiquem a permanência dos casos no Supremo.

Mendonça, que é relator de dois dos inquéritos, avalia manter os procedimentos no STF. Um dos pontos considerados pelo ministro são mensagens encontradas no celular de Roberta Luchsinger que fariam menção a autoridades com foro privilegiado.

A possível relação dessas mensagens com as investigações ainda precisa ser analisada pela PF.

continue lendo