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Política

De ministro a candidato: a trajetória de Haddad até a disputa pelo Governo de SP

Com um currículo que mescla a vida acadêmica na USP, o comando de dois dos ministérios mais importantes do país e a prefeitura da maior capital brasileira, o petista tenta novamente chegar ao Palácio dos Bandeirantes

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de reunião com as lideranças dos grupos de engajamento do G20, no Palácio do Planalto
Fernando Haddad CLÁUDIO REIS/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

Após comandar a economia do país e articular projetos estruturais no terceiro mandato do presidente Lula (PT), Fernando Haddad (PT) volta suas atenções para o seu estado natal. O ex-ministro da Fazenda é o nome do Partido dos Trabalhadores para a disputa do Governo de São Paulo, em uma nova tentativa de assumir o Executivo paulista após a derrota de 2022.

Raízes paulistanas e vida acadêmica

Fernando Haddad nasceu na capital paulista em 25 de janeiro de 1963 — data em que se comemora o aniversário da cidade. Filho do comerciante libanês Khalil Haddad e da brasileira Norma Thereza Goussain, ele passou a infância no bairro Planalto Paulista, na zona sul da capital paulista.

A vida acadêmica e profissional de Haddad é inteiramente ligada à Universidade de São Paulo (USP). Ele ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco em 1981, onde mergulhou na militância estudantil durante o movimento das Diretas Já, chegando à presidência do Centro Acadêmico XI de Agosto em 1984.

Além de bacharel em Direito (1985), tornou-se mestre em economia (1990) e doutor em filosofia (1996) pela mesma universidade. Antes de se dedicar integralmente à vida pública, Haddad trabalhou no ramo da construção civil e da incorporação, foi analista de investimentos do Unibanco (1988) e, em 1997, foi aprovado em concurso público para lecionar no departamento de Ciência Política da USP.

Fora das salas de aula, também atuou como consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), onde coordenou o projeto da tabela mensal de preços de carros novos lançada em maio de 2000 — trabalho que deu origem à referência hoje conhecida como Tabela Fipe.

Escalada na política institucional

Filiado ao PT desde o início dos anos 1980, Haddad começou a ocupar cargos de destaque no começo da década de 2000. Foi chefe de gabinete da Secretaria de Finanças da Prefeitura de São Paulo na gestão de Marta Suplicy, sob o comando do secretário João Sayad. Em seguida, saltou para o cenário federal: foi assessor especial do Ministério do Planejamento (2003-2004) e secretário-executivo do Ministério da Educação (2004-2005), antes de assumir a pasta.

No governo Lula, tornou-se ministro da Educação em julho de 2005 e permaneceu no cargo até 2012, já na gestão de Dilma Rousseff. Sua passagem pela pasta tornou seu nome conhecido nacionalmente. Ainda como secretário-executivo, participou da concepção do Prouni, programa sancionado em 2005; como ministro, expandiu a política e implementou o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e a reformulação do Enem, em 2009. O exame em si, criado em 1998, ganhou nessa gestão o formato que o consolidou como principal porta de entrada para o ensino superior.

Esse capital político o levou a ser o escolhido por Lula para disputar a Prefeitura de São Paulo em 2012, quando venceu a eleição no segundo turno. Sua gestão na capital (2013-2016) atraiu holofotes internacionais e intensos debates locais, marcada sobretudo pela expansão da malha cicloviária, implantação de faixas exclusivas de ônibus e redução de limites de velocidade nas vias.

Teste das urnas

A partir do fim de seu mandato na prefeitura, Haddad tornou-se o principal nome do PT para as disputas majoritárias mais difíceis do país. A trajetória eleitoral recente do candidato evidencia um histórico de embates de peso.

Em 2016, Haddad tentou um segundo mandato na Prefeitura de São Paulo, mas foi derrotado ainda no primeiro turno pelo empresário João Doria. Dois anos depois, em 2018, com a inelegibilidade de Lula, ele assumiu a cabeça de chapa do PT na corrida presidencial. O candidato chegou ao segundo turno em uma eleição altamente polarizada, mas foi derrotado por Jair Bolsonaro.

Sua primeira tentativa de assumir o Executivo estadual ocorreu em 2022. Haddad disputou o Palácio dos Bandeirantes e, apesar de ter vencido na capital paulista — 54,41% a 45,49% no segundo turno —, acabou perdendo no cômputo geral do estado para Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Logo em seguida, entre 2023 e março de 2026, no terceiro governo Lula, o petista voltou a ganhar projeção nacional ao comandar o Ministério da Fazenda. Nesse período, foi o principal articulador político da aprovação do novo arcabouço fiscal e da Reforma Tributária promulgada em 2023.

Agora em 2026, amparado por essa passagem recente como ministro, o professor universitário tenta capitalizar o que construiu em Brasília para ampliar sua votação no interior paulista e conquistar o estado mais rico da federação.

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