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Eliseu Caetano

Aliados de Trump encomendam pesquisa para medir impacto de sanções a Moraes

Levantamento encomendado nos Estados Unidos ouviu cerca de 2 mil brasileiros

Eliseu Caetano

trump x moraes
Um dos principais pontos analisados é o impacto que uma eventual retomada ou ampliação de sanções contra Moraes e outras autoridades brasileiras poderia provocar na disputa pelo Palácio do Planalto. Nelson Jr/SCO/STF

Aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encomendaram uma nova pesquisa de opinião no Brasil para avaliar como uma eventual intensificação da pressão de Washington sobre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode repercutir na eleição presidencial brasileira.

O jornalismo da Jovem Pan confirmou a realização do levantamento com uma fonte que teve acesso ao documento.

A pesquisa teria sido conduzida pelo instituto norte-americano McLaughlin & Associates, que tem histórico de atuação junto ao círculo político de Trump. Cerca de 2 mil brasileiros foram ouvidos nesta nova rodada.

O levantamento não deve ter divulgação pública. Segundo a fonte ouvida pela Jovem Pan, os dados foram produzidos para circulação restrita e devem servir de subsídio para avaliações políticas nos Estados Unidos sobre o cenário brasileiro.

Um dos principais pontos analisados é o impacto que uma eventual retomada ou ampliação de sanções contra Moraes e outras autoridades brasileiras poderia provocar na disputa pelo Palácio do Planalto.

Na prática, os responsáveis pela sondagem procuram identificar como o eleitor brasileiro reage a um aumento da pressão norte-americana sobre integrantes do Supremo e, principalmente, se esse movimento produz algum efeito sobre as intenções de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).

A pesquisa procura identificar se uma postura mais dura do governo americano em relação ao STF fortaleceria eleitoralmente Flávio Bolsonaro ou se, ao contrário, poderia provocar uma reação no eleitorado brasileiro capaz de beneficiar Lula.

Moraes no centro

O levantamento ocorre em um momento em que Alexandre de Moraes volta a ocupar posição central nas discussões entre integrantes da direita brasileira e aliados políticos de Trump nos Estados Unidos.

A possibilidade de novas medidas norte-americanas contra o ministro voltou ao debate político, incluindo discussões sobre a Lei Magnitsky e eventuais sanções contra outras autoridades brasileiras. Com a eleição presidencial brasileira se aproximando, aliados de Trump querem entender também as consequências políticas e eleitorais que uma nova ofensiva poderia produzir.

A preocupação é saber até que ponto uma pressão externa sobre integrantes do Supremo influencia a decisão do eleitor brasileiro. Uma das hipóteses avaliadas é que o endurecimento de Washington possa mobilizar eleitores críticos ao STF e beneficiar Flávio Bolsonaro.

Existe, no entanto, a possibilidade de um efeito contrário. Uma escalada da pressão americana poderia ser interpretada por parte da população como interferência dos Estados Unidos em assuntos internos do Brasil, provocando uma reação capaz de favorecer Lula. É justamente esse impacto que o levantamento pretende dimensionar.

A questão é considerada relevante nos Estados Unidos porque uma nova rodada de sanções pode produzir efeitos distintos dentro do eleitorado brasileiro. Pode fortalecer politicamente setores que defendem maior pressão sobre o STF ou, no sentido contrário, provocar uma reação em favor de Lula diante de uma interferência externa percebida na política brasileira.

Histórico de pesquisa

Não é a primeira vez que o McLaughlin & Associates realiza uma sondagem sobre o cenário político do Brasil. O instituto já havia realizado um levantamento sobre a disputa presidencial brasileira em junho de 2026.

Naquela rodada, Lula apareceu com 40% das intenções de voto em um cenário de primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 32%. Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois, houve empate numérico. Lula e Flávio apareceram com 45% cada.

A pesquisa também abordou a percepção dos entrevistados sobre o Supremo Tribunal Federal. Entre os resultados divulgados naquela rodada, 72% dos entrevistados disseram ser favoráveis ao impeachment de ministros do STF caso fosse comprovado o cometimento de crime ou má conduta.

Aquela sondagem não havia sido registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Agora, a nova rodada tem um objetivo mais específico. Em vez de apenas medir o cenário eleitoral brasileiro, os responsáveis pelo levantamento querem entender o chamado “efeito Moraes” e como eventuais novas medidas adotadas pelos Estados Unidos poderiam alterar a dinâmica da corrida presidencial.

Pressão americana

A movimentação acontece em um momento de renovada tensão em torno de Alexandre de Moraes. Nos Estados Unidos, aliados de Trump e integrantes da direita brasileira voltaram a discutir a possibilidade de medidas contra o magistrado e de ampliação da pressão sobre outras autoridades.

Nesse cenário, a pesquisa tenta medir não apenas a percepção dos brasileiros sobre o Supremo, mas também as consequências eleitorais de uma eventual nova ofensiva de Washington. Para os responsáveis pelo levantamento, a questão central é entender como o eleitor reage quando a política externa americana passa a interferir diretamente no debate político brasileiro.

Uma eventual intensificação das medidas contra Moraes pode reforçar entre parte do eleitorado a narrativa de que o STF extrapola suas atribuições e, dessa maneira, beneficiar candidatos identificados com a direita. Por outro lado, uma pressão mais forte vinda de Washington também pode alimentar o discurso de defesa da soberania nacional e ser explorada politicamente por Lula e seus aliados durante a campanha.

É esse equilíbrio que os americanos procuram medir antes de qualquer nova movimentação.

Novos números sob sigilo

Diferentemente da pesquisa realizada anteriormente, os números desta nova rodada não foram divulgados. Até o momento, não são conhecidos percentuais de intenção de voto nem dados que mostrem qual seria efetivamente o impacto eleitoral de novas sanções contra Alexandre de Moraes ou outros integrantes do Supremo.

A Jovem Pan apurou que o levantamento foi elaborado para circulação restrita e, portanto, não há previsão de publicação dos resultados.

A diferença desta nova rodada está justamente no foco. Mais do que produzir um retrato geral da corrida presidencial, a pesquisa tenta medir uma variável específica que passou a fazer parte dos cálculos políticos nos Estados Unidos.

Com a eleição de outubro se aproximando, o resultado pode ajudar aliados de Trump a avaliar quais seriam as consequências políticas, dentro do Brasil, de um eventual endurecimento da postura americana em relação ao STF.

A pergunta que os americanos querem responder é direta: se os Estados Unidos aumentarem a pressão sobre Alexandre de Moraes e outros integrantes do Supremo, quem ganha eleitoralmente no Brasil, Flávio Bolsonaro ou Lula?

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