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Macroeconomia

Fed resiste a pressões de Trump e põe fim a ciclo de queda nos juros dos Estados Unidos

Banco central americano interrompeu sequência de três cortes consecutivos e manteve suas taxas na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano, em decisão divulgada nesta quarta-feira (29)

Redação

O presidente do Conselho do Federal Reserve dos EUA, Jerome Powell, dá uma entrevista coletiva após uma reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto, no edifício William McChesney Martin Jr
Fed chair addresses press after Federal Open Market Committee meeting MICHAEL REYNOLDS/EFE/EPA

O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) manteve suas taxas de juros na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano nesta quarta-feira (29), em decisão unânime que interrompeu uma sequência de três cortes consecutivos. A medida, amplamente esperada pelo mercado, ocorre em meio a pressões do presidente Donald Trump por reduções adicionais no custo do dinheiro.

Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) justificou a decisão ao destacar a estabilidade da taxa de desemprego em patamares baixos e a solidez do mercado de trabalho. “A taxa de desemprego se estabilizou em um nível baixo nos últimos meses, e as condições do mercado de trabalho permanecem sólidas”, afirmou o colegiado. A inflação, no entanto, “continua um tanto elevada”, acrescentou.

Desde sua posse em 20 de janeiro, Trump tem pressionado publicamente o Fed por cortes mais agressivos nas taxas de juros. Em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente afirmou: “Com os preços do petróleo caindo, exigirei que as taxas de juros caiam imediatamente”. No entanto, o Fed manteve sua postura independente, resistindo às demandas do Executivo.

A decisão do Fed tem reflexos globais, incluindo no Brasil. Juros elevados nos Estados Unidos tendem a fortalecer o dólar, o que pode reduzir o fluxo de investimentos estrangeiros para economias emergentes e pressionar o câmbio. Na primeira semana de Trump no poder, o dólar já havia se depreciado 2,43% frente ao real, fechando a R$ 5,86 na terça-feira (28). Além disso, a manutenção das taxas de juros nos EUA pode influenciar o Banco Central do Brasil a manter a Selic em patamares elevados por mais tempo, impactando o controle da inflação e o crescimento econômico no país.

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O Fed sinalizou que continuará monitorando os dados econômicos e está preparado para ajustar sua política monetária conforme necessário. “O comitê busca atingir o máximo de emprego e inflação na taxa de 2% no longo prazo”, destacou o comunicado. Ainda assim, a incerteza sobre os impactos das políticas comerciais e fiscais de Trump no cenário global mantém o banco central em estado de alerta. Enquanto isso, o mercado financeiro projeta que novos cortes nas taxas de juros dos EUA só devem ocorrer a partir de junho, dependendo da evolução da inflação e das políticas econômicas do governo Trump.

 

*Reportagem produzida com auxílio de IA