Um Plano Real Fiscal
Na década de 80, o maior problema brasileiro era a inflação. Após o insucesso de diversos planos econômicos, a elevação crônica dos preços foi domada pelo Plano Real. A aprovação do Plano Real não foi trivial. Envolveu um pacto com a sociedade brasileira, sofreu oposição das esquerdas e atacou interesses de rentistas que ganhavam dinheiro com a alta dos preços.
Passados praticamente 30 anos do plano, o Real sobreviveu. É claro que nesse período houve inflação. Mas trocamos a inflação de 30% ao mês para uma de 5% apo ano. No entanto, não quer dizer que uma inflação próxima de 5% ao mês não seja incômoda, impondo perdas ao poder de compra de cada brasileiro.
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A inflação atual deriva em grande parte da deterioração fiscal que vive o país. Déficits crônicos, aliados ao elevado endividamento, pioram a inflação e elevam os juros. Se nada for feito, caminhamos para um cenário de estagflação – sem crescimento e com alta de preços. Com esse risco, não dá mais para o país esperar. É necessário um Plano Real Fiscal.
Assim como o plano Real exigiu um pacto da sociedade para acabar com a inflação um ajuste rigoroso das contas públicas também deve ser nesse sentido. Todos devem pagar a conta pelo corte de gastos. Empresários diminuírem subsídios, o Executivo gastar menos, o Congresso pedir menos emendas, o Judiciário entender que seus privilégios devem ser reduzidos, e a população entender que uma nova reforma previdenciária é necessária.
Se nada disso for feito, todos vão pagar a conta principalmente os mais pobres, com juros elevados e mais inflação. Aliás, esse processo já começou. Não tem como mais esperar.
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