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Macroeconomia

Selic a 12,25%: a culpa é da piora fiscal

De acordo com o Bacen, a elevação da taxa de juros decorre do aumento do dólar, piora das expectativas inflacionárias, elevação da inflação corrente e aquecimento do mercado de trabalho e da atividade econômica

Felipe Cerqueira

Prédio do Banco Central do Brasil
54039033717_57b672dd38_k Raphael Ribeiro/BCB

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (Bacen) aumentou a taxa básica de juros, Selic, em 1,0 p.p, passando de 11,25% a.a para 12,25% a.a. De acordo com o Bacen, a elevação da taxa de juros decorre do aumento do dólar, piora das expectativas inflacionárias, elevação da inflação corrente e aquecimento do mercado de trabalho e da atividade econômica.

Tudo isso é verdadeiro. Mas uma única variável foi capaz de gerar todos esses fatores: a piora fiscal. O elevado gasto público tem pressionado a demanda acima da oferta, levando o PIB crescer acima do potencial. Com uma economia com baixa ociosidade atualmente, o crescimento induzido pelo gasto público virá evidentemente acompanhado de mais inflação.

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A piora não ocorre apenas por aspectos quantitativos, mas também qualitativos. Recentemente, o governo anunciou um pacote fiscal muito aquém do esperado. A reação ao conjunto de propostas do governo para conter o crescimento das despesas foi bem negativa. O dólar rompeu a barreira de R$6,00, e as projeções de inflação aumentaram.

O dólar mais elevado encarece o processo produtivo das empresas, gerando impactos nos preços finais para os consumidores. Já a piora das projeções inflacionárias leva muitos empresários se anteciparem à inflação futura, aumentando os preços no presente.

Enquanto o governo não entender que a causa da inflação é a deterioração fiscal, o Banco Central continuará a subir juros. Inclusive, deixou isso bem claro em seu comunicado, ao contratar mais duas altas de mesma magnitude.

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