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Macroeconomia

Marcelo Noronha assume o Bradesco com a missão de reestruturar o banco; conheça o novo presidente

Com perfil arrojado e expertise em cartões e bancos digitais, pernambucano assume segundo maior banco do país no lugar de Octavio de Lazari Júnior

Felipe Cerqueira

O segundo maior banco privado do país escolheu Marcelo de Araújo Noronha, 58 anos, para suceder Octavio de Lazari Júnior, que assumiu o cargo em 2018. Natural do Recife, Noronha é um profissional de perfil arrojado, mas discreto. Sua trajetória começou em 1985 e inclui experiências em bancos internacionais, como o BBVA. Chegou ao banco da Cidade de Deus quando este comprou as operações do BBVA no Brasil, há 20 anos. Desde 2003 no Bradesco, ele assumiu a área de cartões e, ao longo dos anos, comandou diversos setores, como marketing, atendimento ao cliente, vendas digitais, bancos digitais e clientes de alta renda (conhecido como Prime).

Sua bagagem inclui a presidência da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) e a atuação em conselhos de administração de empresas do setor financeiro, como Cielo, Alelo e Livelo. Ainda é conselheiro da CNF (Confederação Nacional das Instituições Financeiras). Noronha é formado em administração pela UFPE, com especializações em finanças pelo Ibmec e banking pela FGV, além de estudos em administração em Barcelona. A mudança de comando no Bradesco vem em um momento desafiador, com o banco enfrentando quedas no lucro, perda de clientes e desafios no cenário competitivo. A percepção é que é necessário um novo olhar, e Noronha, com sua expertise em cartões e bancos digitais, é visto como a peça-chave para impulsionar melhores resultados.

Noronha foi um dos cotados para assumir a presidência do banco em 2018, em substituição a Luiz Carlos Trabuco Cappi. Na ocasião, a escolha foi Lazari, que sai agora. Sua indicação esbarra na tradição de os presidentes do Bradesco terem feito a carreira toda na instituição – o que mostra um perfil diferente dos anteriores. Outros pontos positivos pesaram na decisão. Na visão de executivos que já trabalharam com o novo escolhido, apesar de ter um perfil arrojado nos negócios e de ser dinâmico dentro da instituição, ele é mais comedido que Lazari em público. Suas falas são tidas como ponderadas. Além disso, de todos os vice-presidentes atuais do banco, Noronha é visto como o mais experiente e o que mais se encaixa no perfil tradicional de banqueiro. Um dos trunfos do novo indicado, segundo quem já trabalhou com ele, é a experiência fora da instituição e a capacidade de trazer novas ideias. Também é visto como diplomático, o que ajuda em negociações, e com bons relacionamentos também fora do banco. 

Noronha, que já ocupava a posição de vice-presidente desde 2015, assume a responsabilidade de liderar o Bradesco em um contexto de transformações no mercado financeiro, marcado por desafios operacionais, aumento da competitividade e mudanças regulatórias. Com uma carreira consistente de mais de 38 anos no setor, ele se destaca como o sexto presidente da história do Bradesco, dando continuidade a um legado que inclui nomes como Amador Aguiar e Luiz Carlos Trabuco Cappi. “A mudança tem o propósito de iniciar um ciclo de projetos e objetivos estratégicos robustos para os próximos anos”, destaca Trabuco, que hoje preside o Conselho de Administração. “O contexto de mercado é absolutamente desafiador, do ponto de vista da eficiência operacional, aumento da competitividade e ambiente regulatório”, completa.

O desafio é grande, mas o novo comandante do Bradesco expressa confiança em sua missão, consciente das expectativas dos clientes, colaboradores e acionistas. “O mercado é muito competitivo e exige múltiplas capacidades de todos nós. Com os pés no chão, tenho consciência da minha missão. E não será diferente desta vez”, projeta Noronha. “Tenho visão plena das decisões relevantes que me aguardam e o tamanho da carga das expectativas.”

Em raras entrevistas, Noronha chegou a afirmar, em abril deste ano ao jornal Valor Econômico, que não alteraria o foco do Bradesco, que tem boa parte de sua clientela no segmento de baixa renda. “Somos a cara do Brasil e não vamos mudar esse posicionamento”, disse à época. Já em junho deste ano, no lançamento de uma conta global com cartão de débito para clientes de varejo do banco, a My Account, Noronha comentou, em entrevista ao site NeoFeed, as críticas recebidas a respeito da demora de o banco entrar na internacionalização dos investimentos, e afirmou à época: “Talvez tenhamos demorado. Mas não estamos atrás de ninguém. Chegamos um pouco depois, mas chegamos chegando e estamos largando na pole com banco completo”.

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