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Israel anuncia que 37 organizações de ajuda humanitária serão proibidas de operar em Gaza a partir de 1º de janeiro

ONU criticou decisão e pediu aos Estados que insistam com urgência para que o Estado judeu mude de rumo; União Europeia também alertou que a medida bloqueará a chegada de ajuda 'vital' aos habitantes

Victor Trovão

Um menino palestino ferido recebe atendimento de um membro da equipe dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) em uma clínica no bairro de al-Rimal, na Cidade de Gaza, na véspera de Ano Novo, 31 de dezembro de 2025. Israel afirmou que 37 organizações de ajuda humanitária serão proibidas de operar em Gaza a partir de 1º de janeiro de 2026, a menos que cumpram as diretrizes que exigem informações detalhadas sobre a equipe palestina, o que gerou críticas das Nações Unidas e da União Europeia.
Um menino palestino ferido recebe atendimento de um membro da equipe dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) em uma clínica no bairro de al-Rimal, na Cidade de Gaza, na véspera de Ano Novo, 31 de dezembro de 2025. Israel afirmou que 37 organizações de ajuda humanitária serão proibidas de operar em Gaza a partir de 1º de janeiro de 2026, a menos que cumpram as diretrizes que exigem informações detalhadas sobre a equipe palestina, o que gerou críticas das Nações Unidas e da União Europeia. Foto por OMAR AL-QATTAA / AFP

Israel anunciou, nesta quarta-feira (31), que 37 organizações de ajuda humanitária serão proibidas de operar em Gaza a partir de 1º de janeiro, a menos que forneçam informações detalhadas sobre seus funcionários palestinos, medida criticada pela ONU e a União Europeia.

“Eles se recusam a fornecer as listas de seus funcionários palestinos porque sabem, assim como nós, que alguns deles estão envolvidos em terrorismo ou vinculados ao Hamas”, declarou à AFP Gilad Zwick, porta-voz do Ministério de Assuntos da Diáspora e do Combate ao Antissemitismo.

Segundo o porta-voz, 37 organizações ainda não acataram os novos requisitos. O prazo para fornecer estes dados expira à meia-noite desta quarta-feira, mas “duvido muito que o que não fizeram durante dez meses vão fazer de repente”, afirmou Zwick.

Segundo o ministério, a medida “reforça e atualiza” a regulamentação que rege as atividades das ONGs internacionais no território palestino. O Hamas classificou a decisão israelense como um “comportamento criminoso” que “constitui uma perigosa escalada e um desprezo flagrante pelo sistema humanitário”, afirmou o grupo em comunicado.

“Fazemos um apelo à comunidade internacional, e às Nações Unidas em particular, (…) para que tomem medidas urgentes e eficazes para condenar este comportamento criminoso”, acrescentou o Hamas.

Israel aponta especificamente a organização médica internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), alegando que conta com dois funcionários membros dos grupos Jihad Islâmica e Hamas. Além da MSF, entre as 37 ONGs estão o Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC), o World Vision International, a CARE e a Oxfam, de acordo com a lista fornecida por Zwick.

Uma criança usando uma máscara protetora de acrílico chega à clínica Médicos Sem Fronteiras (MSF) no bairro de al-Rimal, na Cidade de Gaza, na véspera de Ano Novo, 31 de dezembro de 2025. Israel afirmou que 37 organizações de ajuda humanitária serão proibidas de operar em Gaza a partir de 1º de janeiro de 2026, a menos que cumpram as diretrizes que exigem informações detalhadas sobre a equipe palestina, atraindo críticas das Nações Unidas e da União Europeia.

Uma criança usando uma máscara protetora de acrílico chega à clínica Médicos Sem Fronteiras (MSF) no bairro de al-Rimal, na Cidade de Gaza, na véspera de Ano Novo, 31 de dezembro de 2025

Garantir o acesso

Várias organizações declararam à AFP que as novas normas terão um impacto significativo na distribuição de suprimentos em Gaza, onde, segundo as entidades humanitárias, a quantidade de ajuda que entra continua insuficiente.

Nesta quarta-feira, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a decisão de Israel como “escandalosa” e pediu aos Estados que insistam com urgência para que Israel mude de rumo.

A União Europeia também alertou que a decisão bloqueará a chegada de ajuda “vital” aos habitantes. “A lei de registro das ONGs não pode ser aplicada em sua forma atual”, escreveu a comissária europeia de Ajuda Humanitária, Hadja Lahbib.

Na terça-feira, os ministros das Relações Exteriores de dez países já haviam instado Israel a “garantir o acesso” da ajuda à Faixa de Gaza, onde afirmaram que a situação humanitária continua “catastrófica”.

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Embora o acordo de cessar-fogo que começou em 10 de outubro previsse a entrada de 600 caminhões por dia, apenas entre 100 e 300 transportam ajuda humanitária, segundo as ONGs e as Nações Unidas.

*Com AFP 

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