UNRWA acusa polícia israelense de invadir escritório em Jerusalém e substituir bandeira da ONU
O comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), Philippe Lazzarini, denunciou que policiais israelenses, acompanhados de funcionários municipais, “invadiram à força” nesta segunda-feira (8) sua sede em Jerusalém Oriental e substituíram a bandeira da ONU por uma de Israel.
“Esta ação representa um flagrante descumprimento da obrigação de Israel, como Estado-membro das Nações Unidas, de proteger e respeitar a inviolabilidade das instalações da ONU”, denunciou Lazzarini em sua conta na rede social X.
Segundo sua mensagem, as forças israelenses entraram no complexo da UNRWA com motocicletas policiais e outros veículos, cortaram todas as comunicações e apreenderam móveis, equipamentos de informática e outros bens.
No início deste ano, o Parlamento israelense proibiu a atividade da UNRWA em Israel, alegando uma suposta ligação entre funcionários da agência da ONU e o grupo islâmico Hamas.
A Corte Internacional de Justiça determinou que Israel não fundamentou suas alegações de que uma parte significativa dos funcionários da UNRWA seja membro do Hamas, nem demonstrou a suposta falta de neutralidade da agência humanitária como um todo.
Em sua mensagem, Lazzarini classifica como “campanha de desinformação em larga escala” as acusações de Israel à UNRWA, às quais se seguiram “meses de assédio” a seus funcionários com “ataques incendiários em 2024, manifestações de ódio e intimidação” contra a agência, o que resultou na obrigação de desocupar o complexo de Jerusalém Oriental.
“Independentemente das medidas adotadas em nível nacional, o complexo conserva sua condição de recinto da ONU, imune a qualquer tipo de interferência”, afirma, baseando-se no fato de que Israel é parte da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, que declara invioláveis suas instalações.
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“Não pode haver exceções. Permitir isso representa um novo desafio ao direito internacional, que abre um precedente perigoso em qualquer outro lugar do mundo onde a ONU esteja presente”, conclui Lazzarini.
*Com EFE
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