Defasagem no preço dos combustíveis chega a 25% e pressiona Petrobras por reajustes
A recente disparada do barril de petróleo fez a defasagem do preço cobrado no mercado doméstico pela Petrobras acumular defasagem de 25% em comparação ao valor internacional, a maior diferença desde 2012, segundo estudo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Desde 2016, a estatal adota o preço de paridade de importação (PPI), política que baseia o valor cobrado às distribuidoras domésticas de acordo com a variação do barril tipo Brent no mercado global, mais a cotação do dólar. A commodity somou uma série de valorização nos últimos dias após a invasão da Ucrânia por tropas russas e chegou a bater US$ 119,84 nesta quinta-feira, 3, o maior valor em uma década. Desde o início do conflito no Leste Europeu, na quarta-feira da semana passada, 23, o barril acumulou alta de 16%. De acordo com o estudo, o litro da gasolina cobrado às distribuidoras está R$ 1,10 mais baixo do que o ideal, enquanto o preço do diesel tem diferença de R$ 1,22. “O impacto na bomba é menor porque leva em consideração os impostos, com valor fixo, e os custos logísticos, que neste momento ainda não capturamos nenhuma variação”, explica o presidente da Abicom, Sérgio Araújo.
O último reajuste dos combustíveis foi anunciado pela Petrobras no dia 11 de janeiro. O litro da gasolina sofreu alta de 4,8%, passando para R$ 3,24. Já o diesel foi elevado em 8%, atingindo os atuais R$ 3,34. De acordo com a Abicom, a estatal já acumula defasagem há meses, mas a situação foi agravada após a eclosão do conflito entre a Ucrânia e a Rússia. Apesar da necessidade de reajustes, Araújo afirma que a estatal não deve fazer o repasse integral em apenas uma rodada de aumento. “É algo que já deveria ter sido feito antes. Alguns países europeus já fizeram dez reajustes nos combustíveis em 2022. A Petrobras perdeu a oportunidade de manter os preços alinhados, e agora a situação fica muito difícil para fazer uma deste tamanho”, afirma. Por estratégia de mercado, a Petrobras não anuncia com antecedência novos reajustes. Procurada pela Jovem Pan, a estatal não respondeu aos questionamentos sobre a defasagem acumulada.
continue lendo
Mundo
Rússia bombardeia Ucrânia e danifica ponte em Kiev e infraestruturas energéticas
No total, os ataques noturnos em Kiev deixaram pelo menos cinco feridos, incluindo um adolescente de 14 anos
- Lula rebate críticas sobre falta de responsabilidade fiscal: ‘Pobres não pagarão conta’ Estadão Conteúdo · há 1 dia
- Governo publica MP que define regras de transição para o ‘imposto do pecado’ Agência Brasil · há 3 dias
- CNC aciona STF para adiar fim da escala 6×1 Estadão Conteúdo · há 4 dias
- Cotado para Fazenda, Fonteles reduziu dívida no Piauí, mas teve déficit em metade dos anos Estadão Conteúdo · há 7 dias