Inclusão de atuais servidores na reforma administrativa é ‘batalha que vale a pena ser comprada’, diz deputado

Para Tiago Mitraud, a proposta deve abranger todos os trabalhadores até por uma ‘questão de justiça’

  • Por Jovem Pan
  • 09/02/2021 10h00 - Atualizado em 09/02/2021 10h02
Maryanna Oliveira/Câmara dos DeputadosTiago Mitraud acredita em um ambiente atual mais "propício para que a reforma avance e consiga ser aprovada"

A discussão sobre a inclusão dos atuais servidores públicos na reforma administrativa é uma “batalha que merece ser comprada”, afirma o presidente da Frente Parlamentar da Reforma Administrativa, Tiago Mitraud (Novo). Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta terça-feira, 09, o deputado federal afirmou que a medida deve abranger todos os trabalhadores até por uma “questão de justiça”. “Um professor de universidade pública tem 45 dias de férias, não faz sentido só os atuais professores de universidade pública terem 45 dias de férias e os que entrarem daqui para frente passarem a ter 30 dias. É um privilégio férias além de 30 dias não só nessas carreiras, mas em carreiras do Judiciário também. Ainda que atrase algumas semanas, é a chance que nós temos de eliminar as distorções em todo o serviço público brasileiro. Ainda que leve algumas semanas a mais é uma batalha que vale a pena ser comprada e que a população brasileira espera. Não existe espaço nenhuma para que algumas carreiras, continuem tendo acesso a benefícios, que são privilégios que deveriam ter sido extintos há muito tempo. É uma briga que independente do tempo que leve nós iremos comprar”, afirmou.

A expectativa é que a proposta da reforma administrativa seja encaminhada ainda nesta terça-feira para a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Com isso, segundo o parlamentar, a PEC deve seguir o mesmo rito da reforma da previdência, com direcionamento para comissão especial e, posteriormente, para votação do plenário da Câmara e do Senado Federal. “O primeiro passo da reforma administrativa, muito mais ampla, vai ser dado a partir das próximas semanas”, disse o deputado. Segundo ele, independente de quem estiver à frente da “presidência da Câmara, Senado ou da República”, o partido Novo, legenda do parlamentar, continuará defendendo a importância e a necessidade da agenda de reformas. “Mesmo nas vezes que o governo titubeou na defesa das reformas, como da própria administrativa que ficou mais de um ano aguardando para ser enviada, nunca deixamos de defender essa reforma e nada vai fazer mudar. Essa defesa que está no DNA do partido Novo”, garantiu Tiago Mitraud, que acredita em um ambiente atual mais “propício para que a reforma avance e consiga ser aprovada”, citando uma melhor relação do governo federal com a base de apoio.

Ao ser questionado sobre o quanto de economia a reforma administrativa pode trazer aos cofres públicos, Tiago Mitraud avaliou que os cálculos dependem de quais atuais benefícios dos servidores serão vedados, assim como da inclusão dos atuais funcionários na proposta. Segundo ele, independente do valor, ainda que não economizasse nada, a medida ainda assim seria fundamental para o país. “Mesmo que não tenha economia nenhuma, a reforma administrativa é essencial para corrigir as distorções que ainda existem no funcionalismo público e a questão de produtividade do serviço público brasileiro. A qualidade do serviço público é muito aquém do que deveria ser. Precisamos mexer para aumento da produtividade e melhoria dos nossos serviços públicos”, disse. Acompanhe a cobertura especial da campanha na página especial do site da Jovem Pan: Clique AQUI.