‘Alíquota única para taxação de dividendos é equívoco e regressão do sistema’, diz deputado

Marcelo Ramos afirma que a Câmara fará ‘esforço coletivo’ para que texto da reforma do Imposto de Renda tenha o ‘mínimo de convergência’

  • Por Jovem Pan
  • 19/08/2021 08h37 - Atualizado em 19/08/2021 16h29
Michel Jesus/Câmara dos Deputados - 18/08/2021Marcelo Ramos afirma que, mesmo defendendo uma reforma mais ampla, vai contribuir para que a Câmara chegue em um consenso

A Câmara dos Deputados deve concentrar esforços para articular um texto que traga o “mínimo de convergência” a respeito da reforma do Imposto de Renda. A afirmação é do deputado e vice-presidente da Casa, Marcelo Ramos. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta quinta-feira, 19, ele afirmou que, mesmo defendendo uma mudança mais ampla, vai contribuir para que o Legislativo chegue em um consenso. “As divergências ainda são muito grandes, as resistências de diversos setores do país são enormes. Tive uma conversa com o presidente Arthur Lira e há o desejo que a Câmara faça um esforço coletivo de diálogo para tentar, junto com o deputado Celso Sabino, garantir um texto que possa ter o mínimo de convergência. Entendemos que é necessária a aprovação das reformas”, afirmou, citando que, na visão dele, o maior problema está na tributação do consumo, que “pesa no bolso dos brasileiros”.

Marcelo Ramos pontuou que há uma reação de alguns setores organizados, que são mais sensíveis às mudanças propostas pela reforma. A aviação civil, aviação regional e agrícola sofreram um período de muita dificuldade por causa da pandemia. Praticamente paralisou [as atividades] e não tem condições de suportar a decisão de retirar benefícios fiscais”, disse ao mencionar o setor como exemplo e falar sobre mudanças necessárias no texto atual. “Fora isso, precisamos calibrar melhor a questão da taxação de dividendos. Não devemos ter alíquota única. Alíquota única é um equívoco, é a profunda regressividade do sistema.”

“Precisamos ter alíquotas variáveis para aliviar os médios, já que os pequenos não pagam dividendos. Para aliviar os médios, que são os que estão reagindo mais à proposta, podemos aumentar um pouquinho dos muito ricos”, defendeu. Para o vice-presidente da Câmara, considerando o momento econômico, a Casa não pode “colocar mais um peso” que as empresas e os cidadãos não possam suportar. “O Brasil tem que fazer uma escolha: tributar um pouco mais os mais ricos para ter um espaço para transferir renda aos mais pobres”, completou.