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A tolerância técnica de decibéis e o risco de apreensão ao instalar um escapamento esportivo na moto

O sistema de exaustão modificado e as métricas de engenharia exigidas pelas resoluções do Conama e pelo Código de Trânsito Brasileiro

Fernando Keller

Motos Trabalhador por aplicativo ganha mais, porém tem jornadas mais longas
Motos Trabalhador por aplicativo ganha mais, porém tem jornadas mais longas Paulo Pinto/Agência Brasil

A substituição do sistema de exaustão original por uma ponteira esportiva não é proibida pela legislação de trânsito, mas exige adequação estrita aos parâmetros de emissão sonora. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não veda a customização da motocicleta, desde que o novo componente preserve as funções de filtragem de gases e abafamento de ruídos do motor. Rodar com a descarga livre ou adulterar o silenciador interno resulta em autuações pesadas e na retenção imediata da motocicleta em fiscalizações. Para modelos fabricados a partir de 1999, a régua de tolerância obriga os proprietários a consultarem a ficha técnica de fábrica antes de qualquer alteração no conjunto mecânico.

Parâmetros acústicos e a margem de tolerância estipulada pelo Conama

A legalidade da peça esportiva depende inteiramente do volume de ruído gerado pela combustão e expelido pela ponteira. A Resolução 252/1999 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabelece as diretrizes exatas de pressão sonora para os veículos em circulação.

Para motocicletas fabricadas até 31 de dezembro de 1998, o limite absoluto de ruído permitido é de 99 dB(A). Já para os modelos produzidos a partir de 1º de janeiro de 1999, a engenharia de fábrica dita a regra. O volume não pode ultrapassar o limite descrito no manual do proprietário, somado a uma margem de tolerância de 3 dB(A) para compensar o desgaste natural do motor e do sistema de exaustão. Se o manual da sua motocicleta especifica 80 decibéis a 4.000 RPM, o teto legal durante uma blitz será de 83 decibéis.

Anomalias no silenciador e indícios visuais de infração no sistema de exaustão

O condutor deve inspecionar periodicamente a integridade física da ponteira e do coletor. A ausência de componentes internos, como a remoção intencional do DB Killer (abafador removível) ou a retirada do catalisador, altera drasticamente a compressão dos gases e o barulho emitido.

Essas modificações configuram a infração de conduzir o veículo com descarga livre ou silenciador de motor defeituoso, prevista no artigo 230, inciso XI, do CTB. Estalos metálicos anormais durante a desaceleração, excesso de fumaça escura ou vibrações excessivas nas pedaleiras são sintomas claros de que o escapamento não está operando dentro das especificações da engenharia original. Essas falhas aumentam o risco de problemas de ignição e causam a perda de torque em baixas rotações.

O protocolo de aferição e a exigência do decibelímetro durante a blitz

A autuação por excesso de ruído não pode ser feita de forma subjetiva ou baseada apenas na audição do agente de fiscalização. A norma NBR 9714 exige a utilização de um decibelímetro aferido pelo Inmetro para comprovar a irregularidade acústica. O processo técnico de medição segue etapas rigorosas para garantir a validade do teste perante a lei:

1. Posicionamento do equipamento acústico

O microfone do aparelho medidor deve ser posicionado a exatos 0,5 metro de distância do bocal do escapamento, com uma inclinação de 45 graus em relação ao fluxo dos gases. A medição precisa ocorrer em um ambiente aberto, longe de paredes ou obstáculos maciços que possam causar o rebote das ondas sonoras e alterar o resultado.

2. Aceleração do motor e testes de RPM

A motocicleta deve estar com o motor em temperatura ideal de funcionamento e com o câmbio na marcha neutra. O agente eleva as rotações até atingir metade da rotação de potência máxima indicada pela montadora na ficha técnica. A aceleração é mantida constante por alguns segundos para estabilizar o fluxo do escapamento.

3. Leitura dos níveis de pressão sonora

Após estabilizar a rotação do motor, o acelerador é solto abruptamente para testar o abafamento da peça. O decibelímetro registra o pico de ruído gerado durante a fase de desaceleração. O maior valor obtido em uma série de três medições consecutivas é o número considerado para a emissão do laudo técnico de infração.

Custos da autuação e o valor de reversão do conjunto mecânico

Ignorar as especificações do sistema de exaustão gera impactos diretos e imediatos no bolso do proprietário. A infração por alterar as características originais do veículo sem autorização ou rodar com a descarga livre é considerada de natureza grave. A penalidade administrativa inclui uma multa no valor de R$ 195,23, além do acréscimo de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

O veículo fica retido no local da abordagem até que o problema sonoro seja sanado. Caso não seja possível instalar um escapamento regularizado na hora, a moto é removida para o pátio do Detran, gerando despesas adicionais com acionamento de guincho e o pagamento de diárias. O custo para adquirir uma ponteira esportiva devidamente homologada ou reverter o sistema para a peça original de fábrica varia de R$ 400 a mais de R$ 2.500, dependendo da cilindrada e da complexidade da injeção eletrônica da motocicleta. Além disso, o cenário legislativo tem se tornado mais rígido: propostas recentes no Congresso Nacional visam transformar a reincidência de poluição sonora em crime, estabelecendo multas que podem chegar a R$ 1.000 para condutores reincidentes.

Trocar o escapamento da moto por um modelo esportivo dá multa?
A substituição não gera autuação automática de trânsito, desde que o novo equipamento preserve as características de filtragem de gases e não ultrapasse os limites de decibéis estipulados no manual do veículo.

Qualquer policial de trânsito pode multar por escapamento barulhento?
Sim, mas a infração por excesso de ruído do motor exige obrigatoriamente a medição com o uso do decibelímetro no momento da abordagem. Autuações aplicadas exclusivamente “de ouvido” ferem as diretrizes técnicas do sistema de trânsito e podem ser anuladas mediante recurso administrativo.

A manutenção preventiva e o respeito aos parâmetros de fábrica da engenharia automotiva vão muito além do mero cumprimento de regras de trânsito. O tráfego prolongado com equipamentos de exaustão fora do padrão intensifica a poluição sonora urbana e gera fadiga auditiva severa ao próprio motociclista. A despressurização incorreta do motor também compromete o tempo de resposta do acelerador, desgastando válvulas prematuramente e elevando os riscos operacionais durante manobras de ultrapassagem nas rodovias.

Fontes Consultadas